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Governo pede que Gabão explique ataque a autoridades angolanas em Libreville

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Num comunicado tornado público esta sexta-feira, 19, o Ministério das Relações Exteriores afirma ter convocado o Encarregado de Negócios da Embaixada da República do Gabão em Angola, Wilfrid Ndundji Mundungue, para fornecer “explicações plausíveis” sobre o ataque à residência do Presidente da Comissão da Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC), o angolano Gilberto da Piedade Veríssimo.

Segundo o MIREX, em causa está o ataque à mão armada, que de acordo com a nota, foi praticado por cidadãos gaboneses à residência de Gilberto da Piedade Veríssimo, em Libreville.

“Na tarde de quinta-feira, 18 de Janeiro, as autoridades angolanas foram notificadas sobre o insólito acontecimento, praticado por homens armados (alguns dos quais envergando a farda das forças armadas gabonesas), que arbitrariamente invadiram a residência oficial do Presidente da Comissão da CEEAC”, expôs, o MIREX, avançando que durante o acto, “os invasores molestaram psicologicamente o Presidente da CEEAC, e a sua assistente, que se encontravam no interior da residência”.

Naquilo que o Ministério das Relações Exteriores descreveu como “grave incidente diplomático”, o MIREX “repudiou veementemente o ocorrido e exigiu das autoridades gabonesas explicações plausíveis sobre as reais motivações e propósito praticado por cidadãos gaboneses contra autoridades angolanas”.

Desde o golpe de Estado no Gabão, no passado 30 de Agosto, que resultou na deposição do presidente Ali Bongo, o país foi suspenso da CEEAC, “até retornar à normalidade da ordem constitucional”. Ali Bongo Ondinga era o presidente em exercício da Comunidade Económica dos Estados da África Central, com isso, a liderança da organização foi assumida pela Guiné Equatorial.

Na sequência, o Governo angolano tem procurado manter distância com o novo regime do Gabão. Em Setembro passado, por exemplo, durante o seu discurso na Organização das Nações Unidas, João Lourenço, apelou a que tudo se fizesse para que golpistas, sejam militares ou políticos, não tivessem assento nas diferentes organizações mundiais.

Numa escalada da tensão entre os dois países, os governantes de Libreville têm acusado Angola de “os tratar com desprezo”, tendo o tom dessas queixas aumentado em Novembro, pelo facto de a Embaixada de Angola naquele país ter realizado comemorações dos 48 anos de independência angolana sem convidar quadros do governo do Gabão.

Ao encarregado de Negócios gabonês, o órgão máximo da diplomacia angolana apelou “a tomada de medidas severas contra os autores de tal acto, que pôs em causa a segurança e a integridade física das entidades daquela organização sub-regional, que exercem o seu legítimo mandato estatutário naquele país que detém a sede da Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC)”:

Recordou, igualmente, que “o Comunicado Final da 5a Sessão Extraordinária da Cimeira de Chefes de Estado e de Govemo da CEEAC, no quadro do Conselho para a Paz e Segurança em África (COPAX), instou expressamente o Governo da República Gabonesa a continuar a garantir condições de segurança ao Presidente da Comissão, aos membros da comissão e a todo o seu pessoal”.

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1 Comment

1 Comment

  1. Victorino Zaqueu

    21/01/2024 at 9:56 am

    Se o Gabão foi suspenso da CEEAC porque então essa mesma organização continua com seus representantes naquele país?

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