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Governo quer que imprensa angolana consiga viver da publicidade

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O Governo angolano quer que os órgãos de comunicação social consigam ter a publicidade como a principal fonte de seu sustento, evitando, desta forma, que dependam de financiamento do Estado.

A informação foi avançada nesta terça-feira, em Luanda, pelo Director Nacional de Publicidade, do Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, José Matuta Cuato, quando discursava na cerimónia de lançamento de um estudo sobre audiência de média no país.

Aquele responsável começou por reconhecer que “o mercado publicitário está a ressentir” dos efeitos da crise económica e financeira que o país vive há 10 anos.

“Todos os gestores que aqui estão sabem como sofrem. Sempre que há crise a primeira área que sobre cortes é o Marketing e Publicidade. Obviamente que nós estamos a caminho de 10 anos e estamos a ressentir e todos vós aqui são guerreiros e têm resistido”, afirmou.

De acordo com José Matuta Cuato, apesar das dificuldades de fórum económico, o sector já tem conseguido produzir e apresentar publicidade com “alguma qualidade”.

Sobre o anuário de Publicidade de 2023 apresentado nesta terça-feira, José Matuta Cuato disse que os dados deste ano apresentam uma melhoria significativa em termos de investimentos, quando comparados com o ano de 2022.

“Temos reparado que todos os anos, o peso do Governo em investimento publicitário é muito grande. Obviamente que os que trabalham nesse sector sabem qual é o impacto negativo que isso tem”, disse, explicando o facto de nem sempre o Estado honrar com o pagamento da publicidade.

Sobre o assunto, disse que se está a trabalhar no Decreto Presidencial que vai regular a publicidade institucional do Estado “porque aqui há uma necessidade de colocarmos alguma regra, o que é uma publicidade institucional do Estado. O que deve pagar e o que não deve pagar”.

“Os órgãos da administração directa ou indirecta do Estado, as vezes têm todo o dinheiro para fazer todas as campanhas, mas nunca têm dinheiro para pagar uma publicidade”, reconheceu, exemplificando que “pagam spot de 100 milhões de kwanzas, 50 milhões de kwanzas, mas não têm 10, nem cinco milhões de kwanzas para pagar aos órgãos de comunicação social”.

José Matuta Cuato disse que o Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social (MINTTICS) está preocupado com essa situação, por entender que a publicidade é um factor importante para o financiamento dos órgãos de comunicação social.

“Quando financiamos os órgãos de comunicação social, estamos a financiar a democracia […]. Entendemos que a melhor forma de investirmos, de darmos liberdade editorial aos órgãos de comunicação social é obviamente a publicidade. Mas para isso, a publicidade tem de funcionar, temos de ter mercado, no verdadeiro sentido, em que há vários anunciantes, várias agências e vários órgãos de comunicação social”, explicou.

O Director Nacional de Publicidade disse ainda que ela é importante tanto para os órgãos de comunicação social públicos e privados. “Porque apesar daqueles que pensam que o Estado deve subvencionar constantemente os órgãos de comunicação social públicos, também deve fazê-lo com os privados, entendemos que o peso do Estado na economia é excessivo”.

Outra preocupação manifestada pelo Director Nacional da Publicidade, é a qualidade da mão de obra. Razão pela qual disse que o governo está agora empenhado em aproximar o mercado publicitário com as universidades, para que estas percebam a necessidades do mercado.

“Temos visto que as universidades ministram conteúdos que o mercado não precisa”, rematou.

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