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“Sanções impostas pela União Europeia tornam negociações impossíveis”, diz M23 justificando ausência nas negociações em Luanda 

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Após anunciar que participaria nas negociações directas de paz, a partir desta terça-feira, 18, em Luanda, o Movimento 23 de Março publicou, a instantes, um comunicado a cancelar a participação. Em causa, segundo o grupo, estaria a imposição de sanções contra vários líderes militares do Ruanda e do M23.

“As sucessivas sanções impostas aos nossos membros, incluindo as adoptadas nas vésperas das discussões de Luanda, comprometem seriamente o diálogo directo e impedem qualquer progresso”, lê-se no documento.

Mais cedo, os rebeldes do M23 haviam confirmado que estariam presentes nas negociações de paz com a RDC, agendadas para acontecerem esta terça-feira, na Cidade Alta.

De acordo com uma publicação na rede social X, o M23 avançou que enviaria “uma delegação de cinco membros para dialogar à pedido das autoridades angolanas”. O porta-voz da aliança rebelde AFC, que inclui o M23, chegou a assegurar, no final da publicação, “a participação no encontro”.

No início da noite desta segunda-feira, a Cidade Alta chegou a confirmar que a delegação da República Democrática do Congo já se encontrava em Luanda, e que os representantes do Movimento 23 de Março chegariam “ainda hoje à capital angolana”.

Sanções da União Europeia

As sanções impostas pela União Europeia incluem Ruki Karusisi, comandante das forças especiais ruandesas destacadas na RDC, Eugène Nkubito e Pascal Muhizi. O director-geral do Conselho de Minas, Petróleo e Gás de Ruanda (RMB), Francis Kamanzi, também foi sancionado devido o seu papel no tráfico ilícito de minerais congoleses.

Uma empresa especializada em refino de ouro, a Gasabo Gold Refinery, está a ser igualmente sancionada por suspeita de refinar e exportar ouro extraído de áreas controladas pelos rebeldes do M23 no leste da República Democrática do Congo, avançou hoje a RadioOkapi.

Por sua vez, pelo lado do M23, foram sancionados Bertrand Bisimwa, chefe da ala política do grupo armado, que já estava sob sanções da ONU. Jean Bahati Musanga, governador do Kivu-Norte nomeado pelos rebeldes, bem como Désiré Rukomera, chefe de recrutamento e propaganda do M23, e Jean-Bosco Nzabonimpa, vice-chefe de finanças do grupo.

Tais personalidades estão proibidas de viajar dentro da União Europeia, além de terem os seus activos congelados no Espaço Schengen.

Recordar que anteriormente, a União Europeia já havia suspendido as suas consultas de defesa com o Ruanda.

Visita dos EUA

O enviado especial do presidente Donald Trump à Kinshasa e membro do Congresso dos EUA, disse este domingo, 16, que os Estados Unidos comprometem-se em “restaurar a paz duradoura na República Democrática do Congo”.

“A soberania e a integridade territorial da RDC devem ser respeitadas por todos. Trabalharemos para remover todos os obstáculos que impedem a paz, para que a paz possa retornar à RDC”, garantiu Ronny Jackson, em Kinshasa, após uma reunião com Félix-Antoine Tshisekedi.

Continuou, citado pela Rádio Okapi, a dizer que estão a trabalhar para um ambiente seguro para as empresas norte-americanas.

“Queremos trabalhar para que empresas americanas possam vir, investir e trabalhar na RDC. E para isso, precisamos nos assegurar de que existe um ambiente de paz”, disse, Ronny Jackson que actua, igualmente, nos comités de Armamentos, Inteligência e Relações Exteriores dos EUA.

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