Sociedade
Fraca capacidade de fornecimento de água potável na origem do surto de cólera, diz especialista
Os casos suspeitos do surto de cólera subiram para perto de 300, e 19 mortes, com idades compreendidas entre 2 e 73 anos, dos quais 129 (45,6%) são do sexo masculino e 154 (54,4%) do sexo feminino, segundo dados do Ministério da Saúde, tornados públicos nas últimas 24 horas.
O assunto esteve em debate no espaço “Tem a Palavra” do programa informativo “Capital Central”, da Rádio Correio da Kianda. O médico Jeremias Agostinho disse que o surgimento da cólera não é uma responsabilidade do Ministério da Saúde, mas da fraca capacidade de fornecimento de água potável da parte do Ministério de Energia e Águas.
O médico disse que, as condições sociais, ligadas a pobreza, bem como a falta de água potável e habitação condigna, era espectável que o país registasse o surto de cólera, que é considerada como “doença de vergonha”.
O especialista avançou que as autoridades não deram resposta aos problemas do saneamento básico e do fornecimento do líquido precioso, depois da COVID-19, já naquela altura se alertava providenciar tais condições, e há escolas se encontram com os mesmos problemas, sem água e casas de banhos em condições.
Por seu turno, o também médico Maurílio Luile é de opinião que o problema reside na falta de recolha adequada de resíduos sólidos e das condições dos mercados onde são comercializados os alimentos.
Maurílio, pensa que não há condições para travar o fenómeno do surto a curto prazo, mas poderia ser feito com medidas preventivas tendo em conta os factos históricos, dos surtos ocorridos em 1987 e 2013.
Já, o especialista em Gestão e Administração Pública, Denílson Duro, advoga a criação de condições mediante um sistema de saúde funcional a todos níveis. O académico alia essas debilidades a falta de urbanização das cidades ou bairros das principais cidades.
Nas últimas 24 horas, foram notificados 59 casos de cólera, sendo 41 no município de Cacuaco e quatro em Viana, província de Luanda; 7 no município do Sequele e dois no município de Catete, província de Icolo e Bengo, e cinco casos no município do Dande, na província do Bengo.
