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Opinião

Dinâmica política acelera com reuniões estratégicas dos principais partidos

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A actividade política interna em Angola ganha novo ritmo numa semana marcada por encontros estratégicos das principais forças partidárias, numa altura em que o país começa a entrar gradualmente na dinâmica que antecede as eleições gerais de 2027.

No centro desta movimentação está a UNITA, maior partido da oposição, que realiza na cidade do Luena, capital da província do Moxico, as XIII Jornadas Parlamentares do seu grupo parlamentar. O encontro enquadra-se nas celebrações dos 60 anos de existência da organização política, fundada a 13 de Março de 1966.

As jornadas decorrem de 7 a 12 de Março sob o lema “Grupo Parlamentar da UNITA pela Inclusão e Justiça na Distribuição da Riqueza”. A abertura oficial aconteceu nesta quarta-feira, 11, com discurso do presidente do partido, Adalberto Costa Júnior, que destacou a necessidade de reforçar o debate político e aproximar o partido das preocupações sociais dos cidadãos.

O programa comemorativo inclui igualmente actividades políticas, culturais e desportivas em várias províncias do país. O acto central das comemorações está previsto para o dia 14 de Março, no município do Muangai, localidade histórica onde o partido foi fundado.

Enquanto isso, a FNLA, uma das formações históricas da política angolana e signatária dos Acordos de Alvor ao lado do MPLA e da UNITA, prepara a realização do seu VI Congresso Ordinário, previsto para Setembro ou Outubro deste ano.

Antes do congresso, o partido deverá reunir o Comité Central entre os dias 13 e 15 de Março. O encontro surge num momento em que persistem divergências internas, com o histórico militante Ngola Kabango a defender o rejuvenescimento da liderança, argumentando que o partido atravessa uma fase de letargia que pode comprometer a sua relevância política.

Por outro lado, em declarações à Rádio Correio da Kianda, José Makendelua, membro da direcção do partido, admitiu a possibilidade de sanções disciplinares contra Ngola Kabango durante a reunião do Comité Central, acusando-o de ter inviabilizado a abertura do ano político e uma conferência de imprensa do presidente Nimi a Simbi. Kabango, entretanto, desvaloriza as acusações.

Também o MPLA, partido no poder, realizou nesta quarta-feira uma reunião do seu Bureau Político. O encontro decorreu à porta fechada e não foram divulgados detalhes oficiais sobre os assuntos tratados.

Fontes partidárias indicam, no entanto, que na sequência desta reunião o Comité Central poderá reunir nos próximos dias, sendo expectável que questões ligadas à organização interna e às estratégias políticas futuras estejam no centro das discussões.

Por sua vez, o Bloco Democrático convocou uma reunião da sua Comissão Política para os dias 13, 14 e 15 de Março, com o objectivo de avaliar o actual momento político e definir estratégias face aos desafios que se aproximam.

A informação foi avançada à Rádio Correio da Kianda pela porta-voz da organização, Valéria Americano.

Para o cientista político Eurico Gonçalves, a coincidência temporal destas reuniões revela mais do que simples coincidência de agenda. Na sua análise, quando diferentes actores estruturantes do sistema político activam simultaneamente os seus órgãos estratégicos, evidencia-se um momento de sincronização política que antecipa disputas e reposicionamentos no xadrez político nacional.

O académico entende que cada força política procura consolidar a sua narrativa e mobilizar os seus quadros: o MPLA aposta na continuidade e estabilidade governativa, a UNITA procura projectar-se como alternativa política, enquanto o Bloco Democrático tenta afirmar-se como espaço de renovação e influência no debate público.

Neste contexto, as reuniões partidárias desta semana revelam uma intensificação da actividade política interna, sinalizando que os partidos começam desde já a organizar-se e a posicionar-se para os desafios eleitorais que se avizinham no país.

Jornalista multimédia com quase 15 anos de carreira, como repórter, locutor e editor, tratando matérias de índole socioeconómico, cultural e político é o único jornalista angolano eleito entre os 100 “Heróis da Informação” do mundo, pela organização Repórteres Sem Fronteira. Licenciado em Direito, na especialidade Jurídico-Forense, foi ainda editor-chefe e Director Geral da Rádio Despertar.

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