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Especial Venezuela

Crimes de Nicolás Maduro: tráfico, terrorismo e a geopolítica do ‘Cartel de los Soles’

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O que está a acontecer com Nicolás Maduro não é apenas uma história de captura de um líder autoritário; é também uma demonstração crua de como o crime organizado e o poder político podem se entrelaçar no topo de um Estado. Segundo o documento do Departamento de Estado dos EUA, Maduro foi oficialmente implicado como líder do ‘Cartel de los Soles’, uma organização criminal que, de acordo com Washington, controla não só redes de tráfico de drogas, mas também exerce violência terrorista que ultrapassa fronteiras nacionais.

O cartel, segundo o documento, não é uma entidade isolada: está articulado com outros grupos internacionais como o ‘Tren de Aragua’ e o ‘Cartel de Sinaloa’, ampliando o alcance de operações ilegais para além da Venezuela, afectando directamente a segurança norte-americana e europeia.

Maduro é acusado de corrupção sistémica: ter corrompido as Forças Armadas, o sistema judicial e o legislativo, garantindo impunidade e consolidando o poder de forma autoritária, enquanto se beneficiava de actividades criminosas. Essa combinação de tráfico, terrorismo e controlo institucional caracteriza a acusação principal: crimes de narcoterrorismo em escala internacional.

O que chama atenção no caso é que, embora Maduro tenha sido capturado e designado como líder dos cartéis, o regime chavista continua a funcionar. Outros membros de alto nível alegadamente ligados à rede permanecem no poder, o que evidencia que a operação não visou desmantelar completamente a estrutura de governo, mas sim remover a figura central do poder e responsabilizá-la pelos crimes atribuídos. Essa distinção sublinha uma realidade geopolítica: às vezes a justiça internacional e a política externa operam em paralelo, mas com objectivos distintos, punir indivíduos enquanto mantém a estabilidade regional, mesmo que parcial.

Maduro, portanto, enfrenta acusações concretas de tráfico de drogas e terrorismo. Mas o caso também revela a complexidade das relações internacionais: um líder capturado enquanto o regime que ajudou a criar segue activo, ilustrando que no xadrez global o colapso de um actor não significa necessariamente o fim de uma estrutura política inteira.

Em última análise, a narrativa de Maduro é um alerta sobre como o poder absoluto, quando aliado ao crime organizado, pode gerar redes que desafiam fronteiras e impõem riscos globais.

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