Economia
BNA confirma reforço das reservas externas e crescimento do crédito à economia
As Reservas Internacionais Líquidas (RIL) de Angola fixaram-se em 15,9 mil milhões de dólares norte-americanos no final de 2025, o que corresponde a 7,6 meses de cobertura das importações de bens e serviços, anunciou esta quarta-feira, 21, o governador do Banco Nacional de Angola (BNA), Manuel Tiago Dias.
O responsável falava em Benguela, durante um encontro promovido pelo BNA para a apresentação do balanço e perspectivas da Política Monetária e Cambial, dirigido a agentes económicos, governantes, académicos e operadores do sector importador.
Segundo o governador, o nível actual das reservas representa um aumento face a 2024 e constitui um dos principais indicadores da sustentabilidade externa da economia angolana.
Manuel Tiago Dias esclareceu, no entanto, que as reservas internacionais não são utilizadas para as operações correntes de importação nem para o pagamento regular de serviços ao exterior. Esses recursos, explicou, resultam essencialmente das operações diárias de compra de divisas realizadas pelos bancos comerciais junto dos seus clientes, com destaque para as empresas dos sectores petrolífero e diamantífero.
As Reservas Internacionais Líquidas, frisou, destinam-se sobretudo a situações extraordinárias, funcionando como um mecanismo de proteção da economia nacional face a choques externos, como eventuais crises financeiras, perturbações no comércio internacional ou impactos associados às alterações climáticas.
“É fundamental que o país disponha de recursos financeiros que permitam responder rapidamente a necessidades futuras”, sublinhou o governador do BNA.
No domínio do financiamento interno, Manuel Tiago Dias destacou o crescimento de 22,6% do crédito à economia real em 2025, equivalente a 1,4 biliões de kwanzas, embora abaixo dos cerca de 30% registados em 2024.
Ainda assim, considerou os dados encorajadores, salientando que o crédito tem impulsionado sectores-chave como agricultura, pescas, agro-pecuária e indústria transformadora, com apoio do Aviso n.º 10/2024 do BNA e de instrumentos de financiamento implementados pelo Governo.
O governador reconheceu, porém, que os rácios de crédito em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) continuam baixos, apesar do dinamismo observado desde 2019 e, em particular, nos últimos dois anos.
No capítulo da política monetária, o governador informou que o Comité de Política Monetária do BNA, reunido a 13 e 14 de Dezembro de 2025, decidiu reduzir a taxa directora de 18,5% para 17,5%, sustentando a decisão na evolução favorável da inflação.
De acordo com Manuel Tiago Dias, a inflação mensal em Dezembro situou-se em 0,95%, um valor inferior ao registado em períodos homólogos anteriores. O comité decidiu igualmente manter a taxa de facilidade permanente de absorção de liquidez em 16,5%.
O BNA espera que a redução das taxas de política monetária se reflita progressivamente no mercado interbancário e, posteriormente, nas taxas de juro aplicadas pelos bancos comerciais, facilitando o acesso ao crédito e promovendo maior estabilidade económica.
A sessão em Benguela incluiu painéis dedicados ao sector real e externo, crédito à economia, sector monetário e mercado cambial, no quadro do exercício de balanço e projecções da Política Monetária e Cambial do país.
