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Crónica

A internet trouxe a liberdade, as redes sociais a prisão

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Fiz o meu primeiro curso de computação antes da popularização do Windows no Brasil, na década de 1990, com o lançamento do Windows 95. Antes disso, tudo era código. Para abrir, para fechar, para apagar, para editar. Uma lista imensa que tínhamos que decorar.

O Windows chegou com a proposta de “abrir as janelas do mundo” para o usuário. Ou para aqueles que tinham paciência de esperar até às 00 horas, para usar em melhores condições a internet discada.

A expansão da internet para o público geral no Brasil começou a ganhar impulso a partir dos anos 2000, com a chegada dos primeiros serviços de banda larga, que superou a lentidão da conexão discada.

Por fim, a chegada das redes sociais e smartphones, a partir de 2004 e 2007, acelerou ainda mais esse processo.

Recordo que antes do fortalecimento das redes sociais, tínhamos uma utilização mais ampla da internet para diferentes fins. Assim surgiram os mecanismos de busca, com a Google se fortalecendo.

O objectivo de toda rede social é manter o usuário dentro dela. Para isso, os algoritmos, com auxílio da Inteligência Artificial, actuam para apresentar feeds personalizados.

Que risco temos nisso? A grande possibilidade de criação de bolhas e fortalecimento de extremismos. O mundo que vemos nas redes sociais, não é o mundo real, é o mundo construído a partir das nossas curtidas, interacções e gostos pessoais.

Entender o funcionamento das redes sociais é fundamental para colocarmos os algoritmos para trabalharem a nosso favor, auxiliando na busca por cursos, roteiros turísticos e oportunidades, dentre outros.

A filosofia do mundo na palma das mão, ainda existe, contudo, a pergunta que fica é: que mundo?

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