Bastidores do Poder
Juventude sem rumo, país em risco
A juventude é, historicamente, a força que impulsiona as grandes transformações sociais. É a fase da ousadia, da criatividade e da coragem para questionar o que está errado. Em qualquer sociedade equilibrada, os jovens representam esperança e futuro. No entanto, a juventude não cresce sozinha. Precisa de orientação, exemplos e valores transmitidos pelos mais velhos.
Em Angola, esse elo está seriamente comprometido. O país anda à deriva porque são cada vez menos os mais velhos com juízo, responsabilidade e sentido de missão para orientar os jovens. Muitos, em vez de educar, optam por manipular, alimentar ilusões e normalizar comportamentos que enfraquecem a sociedade.
O Presidente da República, João Lourenço, num dos seus discursos já afirmou que os jovens precisam ser educados e orientados, é verdade. Educar não é apenas ensinar a ler e escrever, mas formar cidadãos conscientes, capazes de respeitar as instituições, amar e defender o país, compreender o valor do trabalho, da disciplina e do cumprimento dos deveres cívicos. É necessário ensinar que o sucesso não se mede apenas pela riqueza material e que nem todos serão ricos, realidade comum em todo o mundo.
O que se observa hoje é uma inversão grave de valores. Há mais velhos que disputam namoradas com jovens, quando deveriam ser exemplos e guias. Aquilo que antes era excepção tornou-se regra. Vive-se numa lógica perigosa de que “todo mundo faz”, como se isso bastasse para justificar comportamentos errados.
Muitos jovens sacrificam-se para ostentar viaturas de luxo, numa corrida sem sentido pela aparência e pelo “status”. O valor do ser foi substituído pelo valor do parecer. Chega a ser alarmante ouvir líderes estudantis lamentarem-se porque um amigo nunca andou de iate, como se isso fosse um direito ou uma obrigação. É vaidade excessiva, é vazio moral.
Enquanto isso, raparigas que não trabalham exibem os últimos modelos de telemóveis caros, sem que muitos pais questionem a proveniência do dinheiro. Jovens lutam pelo poder apenas pelo poder, sem ideias, sem projectos e sem compromisso com o bem comum. Nas redes sociais, constrói-se uma realidade falsa, distante da vida real da maioria dos angolanos.
Este cenário exige reflexão urgente. Ainda existem cidadãos com valores firmes e consciência social, e são estes que devem ser a força capaz de influenciar positivamente a maioria. O silêncio e a indiferença apenas aprofundam o problema.
A juventude é o reflexo da sociedade que a forma. Se os jovens estão perdidos, é porque os exemplos falharam. Angola precisa parar e pensar seriamente que país quer construir. O futuro não se improvisa; constrói-se com responsabilidade, verdade e compromisso colectivo.
