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Venezuelanos celebram queda de Maduro após filho convocar protestos contra sua detenção
Após a prisão do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, o seu filho, Nicolás Ernesto Maduro Guerra, fez um apelo para que apoiantes tomassem as ruas em defesa do regime chavista.
A acção, no entanto, não gerou a mobilização esperada pelos círculos chavistas. Sendo que de acordo com a imprensa internacional, ao em vez de protestos amplos, foram registados venezuelanos comemorando a deposição de Nicolás Maduro, mobilizações que ganharam visibilidade em várias regiões incluindo entre imigrantes venezuelanos no exterior.
Referir que no último fim-de-semana, Nicolás Maduro foi detido por forças dos Estados Unidos e levado para Nova Iorque, onde respondeu a acusações relacionadas a narcotráfico e armas perante um tribunal federal.
Seu filho, que também enfrenta acusações semelhantes por parte do governo norte-americano, divulgou uma mensagem nas redes sociais convocando a população a “erguer as bandeiras da dignidade” e resistir “contra a intervenção estrangeira”.
Apesar do chamado de Maduro Guerra, a resposta nas ruas venezuelanas foi heterogénea: vários grupos de apoiantes do ex-presidente realizaram protestos em Caracas e em outras cidades, defendendo a libertação de Maduro e criticando a detenção realizada pelos Estados Unidos.
Ao mesmo tempo, venezuelanos no exterior, especialmente na diáspora na América Latina e Europa, foram registados celebrando o fim do governo Maduro, em cidades como Bogotá, Lima, Buenos Aires e Madrid.
Há, contudo, relatos de que grande parte da população em solo venezuelano se manteve reticente em manifestações públicas, seja por medo de repressão, seja por descrença no futuro político imediato.
O episódio destaca a fragmentação da opinião pública venezuelana após anos de crise económica, hiperinflação, repressão política e migração em massa factores que já haviam desgastado profundamente o apoio ao regime chavista.
De acordo com especialistas em relações internacionais e geopolítica, a discrepância entre a convocação de líderes do regime e a reacção popular evidencia o esvaziamento da base de apoio tradicional do chavismo e pode influenciar a pressão internacional por uma transição política negociada e eleições livres no país.
