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Trump e Petro ao telefone: diplomacia cordial, pressão real e drogas no centro do jogo

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A publicação de Donald Trump no X sobre a conversa telefónica com o presidente colombiano, Gustavo Petro, parece cordial à superfície, mas o conteúdo revela algo bem mais sério: um reposicionamento firme dos EUA na relação com a Colômbia, tendo o narcotráfico como eixo central.

O detalhe mais importante não é a promessa de um encontro futuro, mas o facto de Trump sublinhar que Petro ligou para “explicar” a situação das drogas e outros desacordos. Em diplomacia, quem explica está na defensiva. Isso indica que Bogotá percebeu rapidamente que, com Trump, o discurso político-progressista sobre uma nova abordagem às drogas tem limites muito claros.

Trump joga num registo conhecido: público, directo e com recado. Ao agradecer o “tom” da chamada e a anunciar as negociações entre Marco Rubio e o Ministro das Relações Exteriores colombiano, ele envia dois sinais simultâneos. Para dentro, mostra liderança e controlo da agenda. Para fora, deixa claro que a cooperação com os EUA vem com condições objectivas, e não com simpatias ideológicas.

A escolha de Marco Rubio para conduzir o processo não é aleatória. Rubio é linha-dura, conhece profundamente a América Latina e encara o narcotráfico como tema de segurança nacional, não como debate académico. Uma reunião na Casa Branca, nestes termos, funciona como um teste político: ou a Colômbia apresenta resultados concretos no combate às drogas, ou a relação entra numa fase de fricção.

Gustavo Petro enfrenta aqui um dilema clássico. Internamente, defende uma visão alternativa à “guerra às drogas”. Externamente, depende da cooperação, do apoio financeiro e da parceria estratégica com Washington. Trump sabe disso e usa o telefone como primeiro passo antes da mesa.

Conclusão directa: isto não é uma reconciliação nem um conflito aberto. É pressão diplomática elegante, mas firme. Trump estende a mão, mas mantém o punho fechado. E quando o tema é droga, os EUA raramente falam duas vezes antes de agir.

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