Economia
Petróleo angolano dá sinais de vida, mas obstáculos técnicos ameaçam crescimento
O Banco Nacional de Angola (BNA) projecta uma recuperação da produção petrolífera de cerca de 1,1% em 2026, após o sector ter registado queda nos últimos meses, segundo declarações do Governador Manuel Tiago Dias.
De acordo com o Governador, a previsão reflecte expectativas de estabilização e retoma gradual da actividade petrolífera, um dos principais motores da economia angolana, e será impulsionada por investimentos em manutenção, novas perfurações e acordos de cooperação com empresas internacionais.
A estimativa do BNA é reforçada por dados da consultora Oxford Economics, que prevê que Angola consiga aumentar este ano a produção média de petróleo para 1,18 milhões de barris por dia.
Segundo o estudo, apesar das perspectivas de subida, o sector enfrenta riscos significativos relacionados a problemas técnicos, manutenção e possíveis atrasos em novos projectos, o que pode limitar o ritmo da recuperação.
A consultora destaca que, embora 2025 tenha sido marcado por revisões em baixa no crescimento e quedas de produção devido a paradas para manutenção, as projecções para 2026 são mais otimistas, reflectindo melhorias operacionais e novos investimentos previstos.
De acordo com os analistas, o sector petrolífero continua a ser um pilar da economia angolana, representando entre 30% e 40% do Produto Interno Bruto (PIB) e influenciando directamente receitas fiscais, reservas internacionais e capacidade de financiamento de projectos públicos.
O estudo também aponta que o sector de exploração em Angola poderá atrair até 60 mil milhões de dólares em novos investimentos nos próximos cinco anos, impulsionado por novas rondas de licenciamento e parcerias estratégicas com empresas internacionais, o que poderá consolidar a recuperação e fortalecer a posição do país no mercado global de petróleo.
Apesar do cenário positivo, os analistas reforçam que a balança de riscos permanece desequilibrada para o lado negativo, sobretudo devido a factores internos e externos que podem afectar a produção e as exportações, incluindo volatilidade de preços e atrasos em projectos-chave.
