Desporto
“Mudança na FAF travou vinda de Florentino à Seleção”, diz Mantorras
O antigo internacional angolano e ex-jogador do Sport Lisboa e Benfica, Pedro Mantorras, acusou a actual direcção da Federação Angolana de Futebol (FAF) de faltar à verdade sobre as razões que impediram o médio Florentino Luís de representar a Seleção Nacional de Angola.
Em declarações contundentes, à Rádio 5, Mantorras classificou como “mentira” as versões apresentadas pelos actuais dirigentes federativos, garantindo que o processo para a integração do jogador estava totalmente acordado antes das eleições na FAF.
“É mentira o que os dirigentes dessa actual direcção falam, é tudo mentira”, afirmou Mantorras, revelando que participou directamente em duas reuniões com Florentino, o seu empresário, o então presidente da FAF e o vice-presidente da direcção liderada por Artur Almeida e Silva. Segundo o antigo avançado, nessas reuniões ficou tudo acertado para que o jogador passasse a representar Angola.
Mantorras explicou que o acordo incluía uma condição logística assumida por si próprio. “Eu tinha que entregar os meus carros em Angola para a mulher do Florentino e para as pessoas que pudessem vir acompanhá-lo. Eu assumi tudo isso para o Florentino vir representar Angola”, disse, sublinhando que não havia qualquer entrave desportivo ou administrativo naquela altura.
De acordo com Mantorras, o processo foi interrompido após a derrota da direcção de Artur Almeida e Silva nas eleições da FAF. “Quando houve eleições na Federação, aquela direcção perdeu, e o Florentino ligou-me a dizer que já não vinha à Seleção Nacional, porque a pessoa que ele queria que fosse presidente da Federação não estava”, revelou.
O antigo jogador foi peremptório ao afirmar que essa é a verdadeira razão pela qual Florentino nunca representou os Palancas Negras. “Esta é a pura verdade, crua e nua”, reiterou, demonstrando frustração com a forma como o assunto tem sido tratado publicamente.
Mantorras disse ainda sentir tristeza ao ver dirigentes colocarem interesses pessoais acima do interesse nacional. “Não podem pensar em ‘eu’, têm que pensar em ‘nós’, em Angola. Primeiro tem que estar Angola”, afirmou, voltando a acusar a actual direcção da FAF de distorcer os factos sobre um dos dossiers mais sensíveis do futebol nacional.
As declarações reacendem a polémica em torno da gestão da FAF e do aproveitamento de jogadores da diáspora, num momento em que a Seleção Nacional enfrenta fortes críticas após a sua recente eliminação em competições internacionais.
