África
Moçambique: líderes mundiais repudiam assassinato de advogado de candidato presidencial
Vários lideres mundiais mostram-se indignados com o assassinato, na última sexta-feira, de Elvino Dias, advogado do candidato do partido Podemos, e de Paulo Guambe, mandatário da referida formação política.
Uma das figuras é o secretário-geral da ONU, António Guterres, que condenou “veementemente os assassinatos em Maputo”, expressando as suas profundas condolências às famílias e entes queridos das duas vítimas que foram executados a tiros após o carro em que estavam ter sido emboscado por outros dois veículos.
Guterres apela a todos os moçambicanos, incluindo os líderes políticos e os seus apoiantes, a manterem a calma, exercerem contenção e “rejeitarem todas as formas de violência antes do anúncio oficial dos resultados eleitorais”.
O secretário-geral reitera a solidariedade das Nações Unidas com o povo de Moçambique e reafirma o seu “apoio inabalável à paz e à estabilidade durante esta importante fase da história do país”.
O presidente da Comissão da União Africana, Moussa Faki Mahamat, também condenou a violência pós-eleitoral em Moçambique e apelou à “calma”, instando os actores políticos a manterem uma “disposição pacífica enquanto o país aguarda a declaração dos resultados pelo Conselho Constitucional”.
Moussa Faki Mahamat apelou às autoridades de segurança moçambicanas para que “efectuem a investigação necessária e conduzam os autores perante a justiça”.
Na lista de repúdio constam também notas da União Europeia das representações diplomáticas em Maputo dos Estados Unidos da América, Canadá, Noruega, Suíça e Reino Unido, entre outras, que exigiram a condenação do duplo homicídio pela justiça.
Manifestações pacíficas
Esta terça-feira, 22, o candidato presidencial Venâncio Mondlane convocou dois dias de paralisação a partir de quinta-feira, dia previsível do anúncio dos resultados das eleições gerais pela Comissão Nacional de Eleições (CNE).
O anúncio surge um dia depois da onda de manifestações e greve geral que aconteceu esta segunda-feira, para rejeitar os resultados eleitorais e protestar contra o assassínio do seu advogado e do seu mandatário político no final na passada sexta-feira.
Na sua página no Facebook, Venâncio Mondlane afirma que, nestes dois dias, Moçambique deve ficar parado descrevendo esta como a segunda etapa que denomina de “roteiro revolucionário” de Moçambique, insistindo que a CNE se prepara para anunciar “resultados profundamente falsos”.
“O país nestes dois dias deve ficar parado. Vamos sacrificar dois dias das nossas vidas para que todos nós nos manifestemos. E não precisamos de informar a polícia, o município”, anunciou
Sobre o apuramento dos resultados ao nível das províncias que dão a vitória à Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo, no poder), e ao seu candidato presidencial, Daniel Chapo, com mais de 60% dos votos, Mondlane disse:
“Não é o que o povo votou. Isso está claro”, vincou.
Acrescentou ainda o líder político, que os 154 distritos de Moçambique devem sair para manifestar, os 64 bairros da cidade de Maputo devem se manifestar.
“Os 154 distritos de Moçambique devem sair para manifestar. Jovens em cada distrito, combinem vocês nos vossos grupos de WhatsApp onde querem fazer a vossa manifestação. Os 64 bairros da cidade de Maputo devem se manifestar. Cada jovem que está no seu bairro manifeste-se, levantar os seus cartazes, levantar os seus dísticos para nos manifestarmos contra este regime assassino”, acrescentou
Tendo alertado que a manifestação será pacífica e que não é para destruir bens públicos, nem destruir instituições públicas, “não é para destruir os bens de que nós vamos precisar.”
Recordar que após o duplo assassínio na sexta-feira de Elvino Dias, advogado de Mondlane, e de Paulo Guambe, mandatário do Podemos, partido que o apoiou Mondlane nas presidenciais, o candidato convocou também marchas por todo o país.
Os protestos foram dispersos com tiros para o ar e gás lacrimogéneo em Maputo e registaram-se confrontos dos quais resultaram pelo menos 16 feridos, segundo fontes hospitalares.
Com Márcia Cordeiro
