Sociedade
Camionistas angolanos ameaçam greve devido empecilhos na fronteira com RDC
O esforço diplomático entre os dois Estados pode resolver o problema dos camionistas de Angola e da República Democrática do Congo.
A consideração é dos convidados do “Capital Central” quando analisavam, esta quinta-feira, 24, a posição do Governo da RDC em colocar empecilhos na circulação de camionistas angolanos naquele país.
O jurista Fernando Monteiro Kawewe nota uma clara violação às regras do comércio internacional e apela à uma reunião urgente entre a diplomacia dos dois países.
“O que corre com a RDC consideramos alguma falha da parte tanto da diplomacia comercial que devia ser a mais actuante neste quesito, mas acontece que a nossa diplomacia tem mais atenções viradas para a política do que a comercial e a comercial que mantém as relações entre Estado. A Associação tem estado a encetar alguns contactos para que o Executivo ponha a mão nessa situação e, infelizmente, não tem ocorrido, o que põe em risco os camionistas. É muita gente que põe o pão à mesa”, lamentou.
Os camionistas ameaçam levar a cabo uma paralisação caso o governo angolano não tome uma posição sobre a proibição da sua entrada na RDC, segundo Licínio Fernandes, presidente da Associação dos Camionistas de Angola.
“Restringiram a actividade das nossas operadoras, se o Executivo não intervir, da forma como os congoleses agiram connosco no Congo, vamos agir da mesma forma, impedindo também os camionistas congoleses de entrarem no nosso país. Toda mercadoria também vamos suspender. Quer no leste, quer no norte. Vão passar a deixar a mercadoria e nós vamos levar para as cidades de destino”, avançou.
Fernando Monteiro Kawewe prevê carência alimentar nos grandes centros urbanos se os camionistas paralisarem, efectivamente, as suas actividades.
“O Executivo deve abrir a mão pois uma paralisação de camionistas não imagina quanta crise viveremos. Vivemos a 95% de importações. Não temos produção interna capaz de manter o nosso abastecimento em dia. Não havendo espírito patriótico, sensibilização do nosso Executivo em resolver essa situação o quanto antes pode culminar em grandes convulsões. Neste momento está detectado o empecilho. Por qual motivo o ministro dos Transportes não reúne com as associações?”, questionou.
Os camionistas angolanos estão novamente proibidos de entrar na República Democrática do Congo, pelas autoridades congolesas, que agora exigem o visto de migratório à entrada, reproduzindo o procedimento de Angola, que há anos exige aos camionistas congoleses este documento para entrarem no território angolano.
A medida surge depois que o governo angolano decidiu cobrar o mesmo valor da taxa aduaneira de quatro mil dólares, valor que os transportadores angolanos pagam na RDC.
Em consequência destas proibições, os camionistas angolanos ameaçam decretar greve nos próximos dias, caso não haja uma posição mais firme das autoridades angolanas em relação ao impedimento de entrada na República Democrática do Congo.
