Sociedade
Branqueamento de capitais ameaça soberania dos países da SADC, alerta Angola
O secretário de Estado para o Interior, Arnaldo Carlos, alertou esta terça-feira, 27, que o branqueamento de capitais e o financiamento ao terrorismo constituem uma ameaça directa à soberania, à segurança colectiva e ao desenvolvimento sustentável dos países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).
Ao discursar na abertura do workshop regional de capacitação para o fortalecimento da investigação de casos de branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo, o governante defendeu que a capacitação contínua, a coordenação interinstitucional e o intercâmbio de informações entre os países da região são fundamentais para enfrentar os desafios cada vez mais complexos da criminalidade financeira na África Austral.
Segundo Arnaldo Carlos, a região apresenta vulnerabilidades significativas, que podem ser exploradas por redes criminosas organizadas para a mobilização, circulação e ocultação de fundos ilícitos, sendo utilizada, em alguns casos, como plataforma logística e financeira para o crime organizado e o terrorismo.
O responsável sublinhou que estas ameaças são agravadas por focos de tensão e conflitos em várias regiões do continente, criando um ambiente propício ao fortalecimento da criminalidade organizada, com impactos negativos na estabilidade política, na segurança dos Estados e no desenvolvimento sustentável.
O secretário de Estado considerou a cooperação regional absolutamente essencial, lembrando que os crimes financeiros não conhecem fronteiras, enquanto as respostas institucionais ainda se limitam, muitas vezes, ao âmbito nacional.
“É necessário alinhar práticas, harmonizar procedimentos e fortalecer a cooperação entre as unidades de informação financeira, as autoridades judiciais e policiais, bem como promover a assistência jurídica mútua entre os Estados-membros da SADC”, afirmou.
Arnaldo Carlos destacou ainda que o workshop regional representa uma oportunidade ímpar para o reforço das capacidades técnicas dos países da região, através da partilha de experiências, boas práticas e aprofundamento da cooperação entre os órgãos de investigação criminal, de justiça e parceiros estratégicos.
No mesmo discurso, o governante reafirmou o compromisso de Angola com a implementação dos instrumentos das Nações Unidas e com a observância das recomendações do Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI), no combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento ao terrorismo.
