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“Sem supervisão eficaz, políticas de saúde ficam fragilizadas”, diz especialista

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O especialista em Saúde Pública e Gestão Hospitalar, Jeremias Agostinho, defendeu esta terça-feira, 27, a formação contínua dos gestores das unidades de saúde como principal recomendação para melhorar a eficiência e a qualidade dos serviços prestados à população em Angola.

Em declarações à Rádio Correio da Kianda, Jeremias Agostinho sublinhou que a capacitação dos gestores é essencial face à constante evolução dos conhecimentos e das técnicas administrativas no sector da saúde.

“A formação é fundamental, porque há conhecimentos novos e técnicas administrativas que são estudadas todos os dias. Precisamos de formar continuamente os gestores das nossas unidades de saúde para que desenvolvam o seu trabalho de forma mais eficiente e eficaz”, afirmou.

O especialista apontou ainda a necessidade de reforçar a supervisão a todos os níveis da Administração Pública, incluindo nas unidades de saúde, como forma de garantir uma gestão mais adequada dos recursos públicos e corrigir atempadamente eventuais desvios.

“É preciso supervisão para garantir que as pessoas estão a gerir de forma mais adequada a coisa pública e, quando há desvios, identificar rapidamente e corrigir o rumo”, acrescentou.

Jeremias Agostinho destacou igualmente o papel do Ministério das Finanças no processo de descentralização financeira das unidades sanitárias, elogiando a atribuição de orçamento próprio aos centros e postos de saúde, no âmbito de um projecto-piloto já em expansão.

Segundo explicou, a medida vai permitir reduzir a escassez de materiais e melhorar a capacidade de resposta dos serviços de saúde primários.

“Agora os centros de saúde vão gerir o seu próprio orçamento e, no final do ano, prestar contas. Isso vai ajudar muito na disponibilidade de materiais para a prestação de serviços”, referiu, considerando que o Ministério das Finanças “está de parabéns” pela iniciativa.

Como recomendação final, o especialista apelou à Presidência da República para a criação de órgãos autónomos de supervisão que acompanhem de forma mais eficaz a implementação das políticas do Ministério da Saúde.

Na sua visão, a actual estrutura de fiscalização é insuficiente, defendendo a existência de entidades com autonomia administrativa e financeira para garantir maior rigor e transparência no funcionamento do sector.

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