Economia
Analistas alertam para incerteza global e mudanças no equilíbrio de poder
Especialistas da Rádio Correio da Kianda que actuam em diferentes áreas, analisaram o ano de 2025 em Angola, destacando avanços pontuais, mas também desafios estruturais que continuam a condicionar o crescimento económico, a estabilidade social e o aprofundamento democrático.
No plano económico, o economista José Lumbo considera que 2025 encerra com sinais mistos. Segundo o analista, registaram-se progressos no controlo de alguns desequilíbrios macroeconómicos, nomeadamente ao nível da inflação, mas persistem fragilidades estruturais que limitam o crescimento sustentável e o bem-estar das famílias.
José Lumbo sublinha que o ano ficou marcado por um abrandamento gradual da inflação, resultado de uma política monetária restritiva e de maior disciplina fiscal. No entanto, esclarece que essa desaceleração não se traduziu num aumento real do poder de compra, continuando as famílias a enfrentar dificuldades no seu quotidiano.
O economista refere ainda que os dados oficiais apontam para uma expansão económica moderada, fortemente condicionada pelo desempenho do sector petrolífero. A diversificação económica continua a registar resultados modestos, uma vez que os sectores produtivos enfrentam constrangimentos como dificuldades de mobilidade, acesso limitado ao crédito e insuficiências estruturais. Ainda assim, defende que 2025 deixou lições importantes para o ajustamento das políticas públicas.
No domínio político, o perito em ciência política Eurico Gonçalves destacou as celebrações dos 50 anos da Independência Nacional, considerando que os actos comemorativos reforçaram a unidade e a coesão social, através do simbolismo político associado à soberania, identidade nacional e continuidade histórica.
O analista entende que as condecorações e iniciativas institucionais tiveram impacto relevante na redução de tensões latentes. Para Eurico Gonçalves, os episódios de sabotagem e pilhagens registados em Julho acabaram por demonstrar a existência de um Estado organizado e hierarquizado, capaz de restaurar a ordem pública sem colapso institucional.
Eurico Gonçalves assinala igualmente que o surgimento de novas forças políticas ao longo de 2025 contribuiu para intensificar a actividade partidária e estimular uma sociedade civil mais participativa, reflectindo avanços no pluralismo e na dinâmica democrática do país.
No plano social, o filósofo e académico Almeida Pinto considera que o crescimento registado foi insuficiente face à crise socioeconómica. Sobre a democracia, defende que esta deve ser encarada como um processo contínuo, construído diariamente com a participação de todos os estratos sociais, e não como um projecto fechado ou concluído.
Almeida Pinto lembra ainda que o Estado angolano, com apenas 50 anos de existência, não pode ser comparado a democracias com mais de um século de consolidação. O académico defende o aprofundamento da reconciliação nacional, o respeito pela diversidade de opiniões e uma convivência assente na fraternidade e no diálogo.
