Sociedade
Agricultores defendem electrificação das zonas rurais para impulsionar a produção agrícola
Agricultores nacionais defendem a electrificação das zonas rurais com elevado potencial produtivo como uma medida essencial para tornar a actividade agrícola mais atrativa, menos dispendiosa e economicamente sustentável.
Os homens do campo consideram que o acesso à energia eléctrica poderá reduzir significativamente o desperdício de produtos agrícolas, ao permitir melhores condições de conservação, transformação e escoamento da produção, sobretudo nas regiões mais afastadas dos centros urbanos.
Em declarações à Rádio Nacional de Angola, vários produtores asseguraram estar comprometidos com o aumento da produção agrícola no país, mas alertaram que a falta de electricidade e de sistemas adequados de captação e distribuição de água continua a ser um dos principais entraves à actividade.
Um dos agricultores, Waldemar José, explicou que a ausência de energia eléctrica torna a produção mais cara, sobretudo no processo de irrigação. “Só para ter uma ideia, com o actual preço do combustível, um pequeno agricultor pode gastar cerca de 100 litros de gasóleo por dia”, afirmou. Segundo os seus cálculos, este consumo pode representar uma despesa mensal de cerca de 1.200.000 kwanzas.
O também académico sublinhou que a irrigação tem sido responsável por grande parte dos custos, devido à dependência de motobombas movidas a combustível. Para Waldemar José, a utilização de electrobombas seria uma alternativa mais económica e eficiente, razão pela qual defende a electrificação dos campos agrícolas, considerando a irrigação um processo vital para o cultivo.
Posição semelhante foi expressa pelo produtor Alfredo Vinevala, que lamentou as perdas frequentes de produtos agrícolas por falta de indústrias transformadoras nas zonas de produção. “Temos falta de energia e falta de indústrias que deviam responder à nossa capacidade produtiva. Isto não acontece apenas connosco, mas com muitos outros produtores”, afirmou.
Outro agricultor, Jorge Chaves, defendeu uma intervenção mais estruturada do Estado, com a criação de um plano integrado que responda aos principais desafios enfrentados pelos produtores rurais, sobretudo no acesso à energia, água e infra-estruturas de apoio à produção e transformação agrícola.
Os agricultores acreditam que a electrificação das zonas rurais poderá impulsionar a produção nacional, reduzir custos, gerar emprego e contribuir para a segurança alimentar do país.
