Sociedade
Centro de Hemodiálise de Benguela preocupado com empresas que desempregam funcionários doentes
O Centro de Hemodiálide do Hospital Geral de Benguela está preocupado com os casos de empresas que depois que um funcionário seu é diagnosticado com insuficiência renal, optam por desvincula-lo da empresa, relegando-os para a condição de desempregado.
A preocupação foi manifestada em entrevista colectiva recente por Eugénio dos Santos, supervisor da instituição, que referiu que muitos dos utentes do Centro de Homediálise vivem em situação de pobreza e isso tem contribuido para a degradação da suas capacidades físicas.
“A maior preocupação do Centro de Hemodiálise de Benguela tem a ver muito com os seus utentes, cuja sua caracterização socioeconômica a alguns é muito degradável e tendo em conta as sequelas que a doença vai deixando, uma delas é que a doença cria uma transformação física, a capacidade física do indivíduo já não é a mesma e nós temos registro de pessoas que tinham uma boa capacidade física, e tão logo entram para a nossa unidade, a sua capacidade física por conta da doença diminuiu”, disse.
Eugénio dos Santos denunciou, por outro lado, o registo de vários casos de empresas que ao tomar conhecimento do diagnóstico do seu funcionário optam por despedi-lo.
“Alguns dos nossos pacientes foram expulsos dos seus locais de trabalho, tornando-se desempregados, então isso cria uma certa situação do ponto de vista econômico, do ponto de vista psicológico e esta é uma das nossas maiores preocupações com o utente, porque a qualidade de vida muitas das vezes não se torna a mesma”, disse.
Como forma de evitar que mais empresas desempreguem os seus funcionários por estarem com problemas de insuficiencia renal, o supervisor do Centro de Hemodiálise do Hospital Geral de Benguela defende o diálogo a vários níveis.
“Eu penso que é uma cultura de diálogo, primeiro a cultura de diálogo permanente, porquanto nós sabemos que nem todos os empregadores estão cientes da doença renal crónica ou conhecem a doença, o facto de um empregador não conhecer a doença cria muitas situações, ou seja, as pessoas por falta de conhecimento criam muitas situações”, disse.
Eugénio dos Santos acredita “que essa falta de conhecimento é resolvida por uma educação e uma educação para a saúde conhecendo a própria doença”.
O centro de Hemodiálise do Hospital Geral de Benguela controla actualmente 230 utentes que fazem diálises em dias separados divididos em dois grupos, três vezes por semana.
Para a locomoção, o Centro dispõe de um autocarro que recolhe junto das suas residência até ao hospital e no final da sessão os leva de volta, o mais próximo de casa.
Além do autocarro, existem também viaturas Land Cruiser vocacionadas a recolher e devolver os pacientes nas suas casas.
