Opinião
Angola e a BAL: uma oportunidade estratégica travada pelo silêncio das autoridades
A possibilidade de Angola albergar uma das janelas da Basketball Africa League (BAL), na sua 6.ª edição, representa uma oportunidade estratégica de alcance nacional. Embora o Petro de Luanda seja a equipa angolana confirmada na competição, os ganhos associados à realização do evento estendem-se a todo o ecossistema desportivo, económico e social do país. Ainda assim, o dossiê continua envolto num silêncio difícil de compreender por parte das autoridades competentes.
Organizada pela NBA em parceria com a FIBA, a BAL é hoje a maior plataforma de promoção do basquetebol africano. Angola, detentora de uma longa tradição na modalidade, reúne condições para acolher uma das suas janelas, transformando o evento num activo estratégico nacional e não apenas num benefício para um clube.
Um impulso para todo o basquetebol angolano
Do ponto de vista desportivo, a realização da BAL em território nacional não beneficiaria apenas o Petro de Luanda. Clubes do Girabola de Basquetebol, treinadores, árbitros e jovens atletas ganhariam exposição, acesso a formação especializada e contacto directo com métodos de trabalho da NBA.
As clinics técnicas, programas de capacitação e intercâmbios previstos antes, durante e após o evento contribuiriam para elevar o nível global do basquetebol angolano, criando um efeito multiplicador que ultrapassa largamente o contexto competitivo da BAL.
Impacto económico transversal
No plano económico, os benefícios seriam distribuídos por vários sectores. A chegada de delegações estrangeiras, jornalistas e adeptos internacionais dinamizaria a hotelaria, restauração, transportes, comunicação social, segurança e serviços.
Pequenas e médias empresas, fornecedores locais e profissionais independentes teriam igualmente oportunidades de integração na cadeia de valor do evento, reforçando o impacto na economia nacional e não apenas num único actor desportivo.
Cultura, juventude e coesão social
A BAL em Angola funcionaria também como plataforma de projecção cultural, promovendo a identidade nacional através da música, da hospitalidade e da imagem de um país moderno e organizado.
Para a juventude, o evento teria um efeito inspirador transversal, mostrando que o desporto pode ser um caminho profissional viável, um instrumento de inclusão social e uma via de afirmação internacional, independentemente do clube de origem.
Um silêncio que penaliza o interesse nacional
Apesar do consenso existente quanto às vantagens estratégicas da iniciativa, não existe até ao momento uma posição pública clara das autoridades angolanas. Este silêncio acaba por penalizar o interesse nacional, numa altura em que outros países africanos se posicionam de forma agressiva para captar eventos desportivos de grande dimensão.
A ausência de decisão não afecta apenas o Petro de Luanda; afecta o desenvolvimento do desporto nacional, a projecção internacional de Angola e a capacidade do país em transformar o basquetebol num vector de crescimento económico e social.
Uma escolha que define prioridades
Albergar uma janela da BAL deve ser encarado como uma decisão de Estado, com impacto estrutural e legado duradouro. Com Angola representada na competição, a questão deixa de ser desportiva e passa a ser estratégica.
O país aguarda uma resposta. O silêncio, esse, continua a custar caro.
