Opinião
Paz: breve ensaio
17 anos de paz, um mix de satisfação e podíamos fazer e ter mais é o incontornável pacote que os angolanos têm e carregam consigo, quando e se pensam no assunto.
As armas calaram e deram vazão a vontades até então desconhecidas, preocupações normais de tempos normais. Preocupações que em tempo de guerra, nem utopia eram porque simplesmente não se equacinavam. E é normal. Em tempos de guerra, apenas se pensa na paz!
Hoje falamos de desenvolvimento. Combate a corrupção, distribuição de renda, são só conversas de ambientes de paz. Estas e tantas outras que hoje julgamos normais, como a do emprego ou da falta de divisas. Certamente nunca tinha pensado, mas sim, são assuntos que só um povo em paz, sem qualquer incerteza bélica tem. É, aí está a manifesta importância dessa tal paz que as vezes é tão paz que parece igual a nada.
Mas, mesmo esta paz que provoca estas borbulhas sociais ainda não carrega toda a plenitude que a verdadeira ideia de paz tem: Paz é mais que o calar das armas, é mais que poder se preocupar com as divisas ou mesmo poder criticar o PR. Esta é a paz num sentido mais restrito, portanto diminuto. É que numa abordagem mais ampla, a paz também tem que ver com a harmonia económica, e até a harmonia no prato e na segurança do cidadão. É nessa perspectiva que então percebemos que afinal a nossa paz, apesar dos mais de 15 anos, continua a ser um projecto inacabado e mesmo mal implementado: Os contrastes que separam os muito ricos dos muito pobres ou as questões meramente políticas que permitem ao sobrenome X ter emprego e o sobrenome Y não, fazem por exemplo perceber de forma até dura, que a nossa paz é mesmo pura e unicamente um projecto; E não passa disso.