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EUA e Irão: Teerão não é uma Venezuela, é um regime sólido com o gatilho no terrorismo

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Nesta nova onda de negociações, o Irão recusou-se a discutir os seus stocks de mísseis e impôs que, só falaria sobre o tema com os seus homólogos regionais. A relação entre o Ocidente e Irão, nem sempre foi problemática, já houve episódios em os americanos tinham sob sua tutela aquele país no seu todo.

Tudo começa com a operação Ajax, nome que recebeu a intervenção ocidental, que possibilitou o golpe de Estado de 1953 no Irão, todo ele orquestrado pelos EUA, com o seu braço de inteligência CIA, e apoiada pelo governo britânico, MI6, conforme evidenciam vários documentos oficiais.

O golpe derrubou o primeiro governante iraniano eleito democraticamente, o  primeiro-ministro Mohamed Mossadeq, após um processo de luta, em que os iranianos passaram, para instaurar uma eleição, e se tornarem um Estado Democrático de Direito, mas com este golpe, restaurou a monarquia no país, e deu a ascensão do Xá Mohamed Reza Pahlevi. Esta intervenção estrangeira é um dos pilares das hostilidades que perduram até hoje entre iranianos e americanos. 

Para termos uma ideia clara, o interesse do Reino Unido no Irão era pelos campos de petróleo do país, dos quais era dono desde 1908. Os britânicos exploravam os recursos naturais iranianos e, em troca, devolviam uma pequena quantidade dos combustíveis obtidos — aproximadamente 16%.

O primeiro governante eleito democraticamente no Irão, o primeiro-ministro Mohamed Mossadeq, ouviu as várias queixas do povo iraniano e decidiu nacionalizar a indústria petrolifera do país, acabando com o negócio lucrativo que os britânicos cultivaram por décadas. Foi aqui onde Mossadeq abriu espaço para o golpe.

Teve início, então, uma campanha de intimidação por parte do Reino Unido, que atracou barcos de guerra no golfo Pérsico, ameaçou invadir o país, decretou sanções à venda de petróleo iraniano e colocou em prática um plano sigiloso para derrubar o novo primeiro-ministro. A conspiração foi descoberta pela inteligência iraniana, Mossadeq decidiu fechar a embaixada britânica em Teerã e expulsar o do país o corpo diplomático do Reino Unido. Foi então que os britânicos, por não terem mais pessoal em actividade no território iraniano, estavam praticamente as cegas, tiveram que pedir ajuda aos Estados Unidos.

A recém-criada agência de inteligência dos EUA, a CIA, ficou encarregue de orquestrar o golpe. Na época, o presidente norte-americano era o republicano Dwight Eisenhower, eleito em 1953. O controle do petróleo iraniano foi, portanto, um dos motivos por trás dessa intervenção americana. 

Alguns historiadores consideram que o golpe foi um acto relacionado à Guerra Fria, com o objectivo de evitar a todo o custo que o Irão se aproximasse da União Soviética e do pensamento comunista, que na altura estava em alta, e degladiava de forma directa com o ocidente.

Independentemente das motivações reais por trás da intervenção dos EUA nos assuntos internos do Irão, o golpe prosperou e o primeiro-ministro nacionalista foi preso. O poder voltou à monarquia, que era favorável ao Ocidente, com a ascensão do Xá Mohamed Reza Pahlevi.

Após a ascensão ao poder do xá da Pérsia, se seguiram 26 anos de franca amizade entre Estados Unidos e Irão. A participação dos EUA no retorno da monarquia colocou Washington em posição de poder numa região onde, até então, o governo americano não tinha grande influência, e passou a ter mais interesse a partir deste episódio, tenho aliados em Israel.

Além do acesso privilegiado ao petróleo do Irão, os Estados Unidos começaram a controlar a política externa do xá, que actuavam como a polícia do Golfo Pérsico, especialmente durante período em que o republicano Richard Nixon esteve à frente do governo americano.

Mas eram muitas as vozes dentro do Irão que se opunham aos acordos com os EUA que pudessem ser desfavoráveis aos iranianos, como o que perdurou durante anos com os britânicos. Em 1954, foi firmado um acordo que criava um consórcio internacional, com participação britânica, americana, holandesa e francesa, mediante o qual os benefícios da exploração de petróleo seriam compartilhados em partes iguais.

O acordo foi renovado em 1973 por mais 20 anos, neste periodo, muita repressão, perseguições, prisões, que foi alimentando o sentimento de ódio, que descavilhou em 1979, foi detonada a Revolução Islâmica, que devolveu às mãos dos iranianos a soberania total sobre o petróleo do país.

Antes da revolução, as relações entre Teerã e Washington foram tão estreitas que, três presidentes americanos visitaram o Irão nesse período, durante o governo do xá da Pérsia: Eisenhower, Nixon, e Carter. Era muito petróleo, e acesso aos segredos daquela grande terra que tinha terras virgens, as terras raras, inexploradas.

Carter celebrou a chegada do ano de 1978 com um jantar de gala ao lado do xá. Tudo mudaria apenas um ano depois. O monarca persa fugiu do Irão em 16 de janeiro de 1979, ao se ver incapaz de conter os protestos que tomaram as ruas do país durante meses. Ate os dias de hoje, são 47 anos é a consolidação de um regime forte e coeso, é uma hibra, elimina uma cabeça, nasce mais 10.

Manifestantes enfrentavam o exército, greves de trabalhadores ameaçavam a produção de petróleo (principal fonte de renda do governo) e opositores ao regime, tanto civis quanto religiosos, acusavam a monarquia de ser autoritária e corrupta, protegida pelos americanos que não apostaram no equilíbrio de poder.

A Revolução Islâmica de 1979

Apenas duas semanas depois da saída do xá do país, o líder islâmico religioso Ruhollah Musavi Khomeini, que havia sido forçado a deixar o Irão em 1964 por suas críticas ao governo, voltou do exílio. Durante os 15 anos em que esteve fora do Irão, morando no Iraque e na França, o aiatolá criticava fortemente o regime monárquico. Ele acusou o xá de se vender aos Estados Unidos, nação a que apelidou de “Grande Satã”.

Khomeini se converteu progressivamente num opositor de destaque ao regime monárquico. É possível ver o sentimento antiamericano nos discurso dele de 1964, mas isso ganhou ainda mais força entre lideranças iranianas nos anos 90, quando os EUA impuseram uma série de sanções ao Irão. A desconfiança da população em relação aos EUA também ajudou o líder espiritual Khomeini a consolidar o sucesso da Revolução Islâmica. O aiatolá Khomeini canalizou esses sentimentos durante o processo revolucionário e tornou a independência do Irão em relação aos EUA uma das bases mais importantes para o êxito da República Islâmica. A queda de aiatolá Khomeini, é uma pólvora para o terrorismo, associado a religião, pior que em qualquer parte do médio oriente.

Após um referendo realizado em 1º de abril de 1979, foi declarada a República Islâmica do Irão. O declínio das relações com os Estados Unidos alcançou seu ápice com a tomada da embaixada americana em Teerã.

Em novembro de 1979, um grupo de manifestantes manteve como reféns diplomatas e outros cidadãos americanos que estavam no edifício. O cerco à embaixada durou 444 dias. Seis americanos conseguiram fugir da embaixada se fazendo passar por uma equipe de cineastas.

Os últimos 52 reféns foram libertados em Janeiro de 1981, no mesmo dia em que Ronald Reagan tomou posse como presidente dos EUA. Enquanto ainda durava o sequestro, em abril de 1980, os Estados Unidos romperam relações diplomáticas com o Irão. 

Se formos analisar profundamente todos estes episódios, não há negociação clara para que as partes se entendam, devido ao sentimento de desconfiança que nutre entre ambos, e os jovens defendem o regime como um acto divino. 

As sanções econômicas impostas pelos EUA ao Irão, e reforçadas recentemente por D. Trump, são um mecanismo de pressão usado desde os tempos do presidente Jimmy Carter. Carter proibiu as importações de petróleo do Irão, congelou cerca de US$ 12 milhões em activos iranianos no território americano e suspendeu todo o intercâmbio comercial com a República Islâmica, assim como as viagens de autoridades dos EUA ao território iraniano.

As sanções foram suspensas quando o Irão libertou os reféns americanos, mas nos anos subsequentes outras foram impostas pelos EUA. Em 1984, no governo de Ronald Reagan, o Irão foi declarado país patrocinador do terrorismo e Washington voltou a lançar sanções. 

Os EUA se opuseram a que o Irão recebesse empréstimos internacionais e proibiu a importação de alguns produtos iranianos, entre eles os chamados de “uso duplo” — que podem ser destinados tanto ao uso civil quanto ao militar.

As relações entre Irão e EUA não melhoraram na Presidência de George H. W. Bush, que também aprovou sanções contra o regime iraniano. As sanções de Bill Clinton também haviam causado danos, mais as sanções impostas recentemente por Donald Trump. Mais sanções foram impostas nos governos de George W. Bush e Barack Obama. Mas, em 2015, ainda durante a Presidência de Obama, foi firmado o acordo nuclear entre o Irão e potências mundiais, como Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido, França e Alemanha, após anos de difíceis negociações.

O Irão comprometeu-se a parar o seu programa nuclear em troca da suspensão de sanções. O acordo perdurou por quase três anos até que, em maio de 2018, o presidente Donald Trump decidiu rompê-lo, apesar da oposição dos países europeus que contestavam esta medida dos americanos, pois poderia servir para fiscalizar e freiar os intentos iranianos, mas Trump não percebeu desta forma, tinha de forçar uma manifestação interna e derrubar o regime.

As principais razões (dos conflitos entre EUA e Irão) são geopolíticas, em parte majoradas por actores regionais como Israel e Arábia Saudita, que desconfiam do poder do Irão no Oriente Médio.Mas é um país soberano, tem os seus objectivos enquanto Estado como outro qualquer, porquê impedir as suas pretensões? Porquê os americanos sairam do acordo nuclear que seria um ponto de partida para afrouxar os dilemas. 

É importante olharmos para os elementos do equilíbrio do poder, e percebermos a dimensão que cada Estado tem no globo, usar a diplomacia como ponte e não como muro, mas o grande problema para o Irão é Israel, e se Irão atingir o pódio das armas nucleares, Israelitas poderão abandonar novamente aquela terra, e os americanso nem podem imaginar isto, porque perdem boa parte da sua política externa na região, pois para os iranianos, aqueles não são os verdadeiros judeus, que matam, perseguem, e eliminam lideres. É uma faca de dois gumes o que vamos acompanhando, e a resolução, começa com cedências de terras, religião, e os americanos preocupados em controlar o regime, devido ao seu petróleo e o estreito de Ormuz. 

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