Sociedade
Debate sobre desafios das mães atípicas reúne centenas de mulheres em Luanda
Aconteceu neste sábado, 31 de Janeiro, em Luanda, no Hotel Belo Horizonte, a Conferência da Mãe Atípica – uma iniciativa da jornalista e apresentadora de televisão, Rosa de Sousa, que tem o objectivo de dar luz e voz a uma realidade que afecta silenciosamente milhares de famílias angolanas: os desafios, as lutas e as vitórias da vida com a atipicidade.
Rousa de Sousa lidera o projecto Mamacita Angola e frisa que ser mãe atípica é lidar com desafios diversos muito voltados aquilo que é a condição que cada filho carrega, “pois é uma mãe que está fora do padrão que a sociedade acabou por impor sobre aquilo que é perfeito e normal, pois essa mãe tem filhos com particularidades no seu processo de desenvolvimento, como transtornos, deficiências, e ainda assim esta mulher consegue lidar com os desafios impostos por estas diferenças”, mencionou.
Rosa explica, que o objectivo do evento é criar uma comunidade de mulheres que são mães e famílias atípicas porque “foram chamados também aqui os homens para poder dar acompanhamento a essas crianças, para abrir um espaço aonde tenham voz, tenham vez e que não sejam apresentadas como crianças sem futuro, ou como cidadãos que não tenham nada a oferecer, a sociedade, que não sejam todos como inválidos”.
Rosa de Sousa disse que desde que abraçou a causa, vai se deparando cada vez mais com amigos com filhos atípicos, o que torna o número muito crescente, logo, a Conferência da Mãe Atípica vem chamar a atenção para que sejam criadas políticas que ajudem as crianças no processo de tratamento, de terapias, porque são serviços caríssimos para com as mães, para com as famílias, em que só apenas um filho pode gastar mais de um milhão de kwanzas em terapias.
“Eu gostava que volta e meia nos pudéssemos estar todos abertos para esta temática, podemos acolher mais e poder levar a estas famílias acolhimento, tratamento e sustento”, disse.
O evento foi estimado para receber quatrocentas pessoas, entre mães atípicas, pessoas que lidam e que querem também ter mais conhecimento.
O Correio da Kianda, está presente para cobertura e ouviu Lídia Domingos, mentora do projecto Noor Ubuntu, que também é mãe atípica, e frisou não ser fácil, mas chama o apoio da família como fundamental.
A mentora enalteceu o evento, pois reconhece que vem trazer conhecimento.
“A sociedade precisa de conhecimento, quando a há conhecimento podemos dar resposta as situações, as mães precisam de apoio”, avançou.
Lídia Domingos disse também, que o estado fala de inclusão, mas infelizmente ainda não se vê, pois para que haja inclusão é necessário preparar os profissionais para que possam dar respostas as famílias, e sem essa preparação não será possível ter famílias satisfeitas porque o sonho de qualquer pai è ver o seu filho incluído na educação.
O Diretor Geral da PayPay, Euclides Filipe, que é o padrinho do projecto, explicou que abraçou o projecto porque percebeu que em Angola o número de mães a viver essa situação é alto, e decidiu mostrar a estas mães que elas não estão sozinhas, e uma das formas de ajudar foi patrocinar o evento, e não só.
“Ser padrinho desta causa é assumir a responsabilidade e dizer as mães que não estão sozinhas nos estamos aqui e juntos somos mais fortes para vencer as adversidades”, disse.
