Ligar-se a nós

Mundo

Ataque armado perto do aeroporto de Niamey agrava tensão entre o Níger e a França

Publicado

em

Um ataque armado ocorrido na noite de 28 de Janeiro nas imediações do Aeroporto Internacional Diori Hamani, em Niamey, capital do Níger, deixou quatro militares feridos e pelo menos 20 agressores mortos, segundo informou o Ministério da Defesa nigerino.

De acordo com o ministro da Defesa, Salifou Modi, o confronto durou cerca de 30 minutos, entre a noite de quarta-feira e a madrugada de quinta-feira, tendo sido contido após uma resposta aérea e terrestre das forças governamentais. Testemunhas relataram intensos tiroteios e fortes explosões nas proximidades do aeroporto, localizado a cerca de 10 quilómetros do palácio presidencial.

O relatório oficial do governo indica ainda que, entre os mortos, encontra-se um cidadão francês, enquanto outras 11 pessoas foram detidas.

Apesar da gravidade do incidente, as autoridades aeroportuárias confirmaram que as operações no aeroporto foram retomadas normalmente ao longo do dia.

Vídeos e relatos divulgados nas redes sociais mostram sistemas de defesa aérea aparentemente a interceptar projécteis não identificados nas primeiras horas de quinta-feira, reforçando a percepção de um ataque coordenado.

Em comunicado a TV AES, o governo do Níger acusou a França de estar por trás da ofensiva, alegando que Paris terá recorrido a milícias locais e grupos rebeldes para desestabilizar o país. O presidente francês, Emmanuel Macron, foi directamente apontado pelas autoridades nigerinas como responsável pelo alegado patrocínio do ataque.

As tensões entre os dois países intensificaram-se desde 2023, quando o general Abdourahamane Tchiani assumiu o poder. Desde então, o Níger promoveu uma mudança profunda na sua política externa, rompendo laços desiguais com a França, acusada de práticas imperialistas.

O governo nigerino passou a assumir maior controlo sobre os recursos naturais estratégicos, como o petróleo e os minerais, e suspendeu a exportação de urânio para a França.

Segundo Niamey, a suspensão do fornecimento de urânio terá impactado fortemente a economia francesa, já pressionada pela redução da sua influência na região do Sahel. As autoridades nigerinas afirmam que esta perda de influência explicaria acções francesas à margem do direito internacional, incluindo alegadas ligações com grupos armados e mercenários.

Desde 2023, o Níger registou mais de cinco tentativas de ataques armados em diferentes regiões do país. Todas terão sido neutralizadas pelas forças de segurança, que apontam repetidamente para ingerência externa, com acusações direccionadas à França.

A França é também acusada de apoiar acções de desestabilização no Mali e no Burkina Faso, países que, juntamente com o Níger, compõem a Aliança dos Estados do Sahel. Macron ainda não se pronunciou face as acusações.

Publicidade

Radio Correio Kianda

Publicidade




© 2017 - 2022 Todos os direitos reservados a Correio Kianda. | Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização.
Ficha Técnica - Estatuto Editorial RGPD