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António Guterres diz que ONU está em “colapso financeiro iminente”
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, alertou que a ONU está em risco de “colapso financeiro iminente” e que pode ficar sem dinheiro até julho deste ano. O alerta consta de uma carta enviada aos Estados-membros, na passada quarta-feira e citada pela agência Reuters. Na missiva, Guterres aponta dívidas não pagas e regras orçamentárias como as principais ameaças à sobrevivência financeira da organização.
Os Estados Unidos da América, que eram o maior contribuinte reduziu drasticamente as contribuições voluntárias para agências da ONU e deixou oficialmente a Organização Mundial da Saúde (OMS) na semana passada, conforme noticiou o Correio da –kianda.
Segundo a BBC, Os EUA não pagaram a sua contribuição para o orçamento regular da organização em 2025-2024, e destinaram apenas 30 por cento do financiamento esperado para as operações de manutenção da paz da ONU, cortando milhares de milhões em ajuda externa.
Outros países como o Reino Unido e a Alemanha, também anunciaram cortes na ajuda externa, o que terá impacto no trabalho desenvolvido pela ONU.
As contribuições são calculadas com base no tamanho das economias nacionais, das organizações membros.
Os Estados Unidos e a China representam a maior parcela do orçamento principal da ONU, com 22 por cento e 20 por cento, respectivamente. Ainda assim, no final do último ano, o total de dívida pendente atingiu um valor recorde de cerca de 1,3 mil milhões de euros, segundo Guterres.
“Ou todos os Estados-Membros cumprem as suas obrigações de pagamento na íntegra e a tempo, ou os Estados-Membros devem reformular profundamente as nossas regras financeiras para evitar um colapso financeiro iminente”, advertiu.
Na tentativa de conter a crise, Guterres criou, no ano passado, um plano estratégico – a ONU80- com o objectivo de reduzir custos e aumentar a eficiência.
Como parte desse esforço, os Estados-membros concordaram em cortar o orçamento de 2026 em cerca de sete por cento. Apesar disso, o secretário-geral alertou que as medidas podem não ser suficientes.
Um dos principais entraves, segundo Guterres, é uma regra financeira considerada ultrapassada, que obriga a organização a devolver aos Estados centenas de milhões de dólares em contribuições não utilizadas todos os anos.
Como resultado, a ONU está a devolver milhões de dólares que nunca recebeu de facto.
“Ainda este mês, como parte da avaliação de 2026, fomos obrigados a 227 milhões de dólares fundos que não cobramos”, pode ler-se na carta.
“Por outras palavras, estamos presos em um ciclo kafkiano, sujeitos a devolver dinheiro que não existe”, afirmou, evocando o escritor Franz Kafka e as suas obras sobre burocracias opressivas.
