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“Vosso dinheiro não é caridade, é investimento” – diz Zelensky sobre ajuda americana

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O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, que esteve esta quarta-feira, 21, nos Estados Unidos da América, onde reuniu com o homólogo americano, Joe Biden, com o qual deu uma entrevista colectiva, discursou no congresso e disse que o dinheiro que os EUA estão a dar ao seu país para ajudar na luta contra a invasão russa ao seu território, “não é uma caridade e sim investimento”, conforme noticiou ontem o Correio da Kianda.

O dia da visita do presidente da Ucrânia começou com as confirmações por parte de Joe Biden e de Volodymyr Zelensky de que a visita ia (mesmo) acontecer. Através da rede social Twitter, o chefe de Estado ucraniano apontou: “A caminho dos EUA para fortalecer a resiliência e as capacidades de defesa da Ucrânia. Em particular, Biden e eu discutiremos a cooperação entre a Ucrânia e os Estados Unidos. Farei também uma declaração no Congresso e [terei] diversas reuniões bilaterais”.

A primeira ‘paragem’ foi a Polónia, onde o presidente da Ucrânia foi visto e captado em imagens na estação de comboios em Przemysl. À sua espera em Washington estava Biden – para um encontro na Casa Branca seguido de uma conferência de imprensa – e Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Representantes -, para uma declaração no Congresso dos Estados Unidos.

Por volta das 17h de ontem (horário de Angola), chegava a notícia da aterragem em solo norte-americano. O avião que transportou Zelensky para os Estados Unidos aterrou na Base Aérea de Andrews, perto de Washington. Partiu, em seguida, para a Casa Branca.

À entrada, foi recebido, com guarda de honra, pelo próprio chefe de Estado norte-americano e pela primeira-dama Jill Biden, tendo tirado uma fotografia protocolar com o casal presidencial. Seguiu-se uma reunião entre os chefes de Estado na Sala Oval, onde Biden garantiu ao homólogo ucraniano que os Estados Unidos defendem uma “paz justa” para a Ucrânia e manterão o apoio militar, em concreto para defesa aérea.

Em breves declarações aos jornalistas, o chefe de Estado norte-americano destacou ser “uma honra” estar ao lado de Zelensky por este “ser um grande líder”. Biden prometeu ainda que manterá a ajuda financeira, militar e humanitária à Ucrânia, em particular no apoio à defesa aérea, referindo-se à entrega de mísseis Patriot por parte dos norte-americanos, pela primeira vez desde o início do conflito, anunciada pouco antes do líder ucraniano aterrar em Washington.

Já Zelensky agradeceu a Joe Biden, aos congressistas norte-americanos e às “pessoas comuns” dos EUA pelo seu apoio durante os mais de 300 dias de invasão russa. O governante ucraniano explicou que pretendia ter visitado os Estados Unidos mais cedo, mas que tal não foi possível pela “situação difícil” vivida no seu país, lembrando que a “guerra não acabou” e que o seu país enfrenta muitos desafios na batalha contra as forças russas.

Zelensky ofereceu ainda ao homólogo norte-americano uma medalha de mérito militar que, na terça-feira durante a sua visita à cidade de Bakhmut, na linha da frente em Donetsk (leste), um capitão do Exército ucraniano que está a operar o sistema de ‘rockets’ Himars oferecido pelos norte-americanos, pediu que entregasse a Biden.

Em seguida, ambos os líderes fizeram uma conferência de imprensa conjunta onde o presidente dos Estados Unidos anunciou, de viva voz, que o país iria fornecer sistema de mísseis de defesa Patriot. “São 300 dias [da Ucrânia] a mostrar à Rússia e ao mundo a sua espinha dorsal de aço, o amor pelo seu país e a sua determinação inquebrável”, acrescentou ainda Joe Biden, que fez questão de recordar que a “Rússia continua a tirar a vida a crianças” ucranianas no decorrer da sua invasão, que dura já há quase dez meses.

Em seguida, o presidente ucraniano, durante a sua intervenção, considerou, deste modo, que levará “boas notícias quando regressar a casa”, à Ucrânia, fazendo referência a este “novo pacote” de material de defesa. “Só dessa forma seremos capazes de privar o país terrorista dos seus ataques ao nosso setor energético, às nossas pessoas e às nossas infraestruturas”, destacou.

O chefe de Estado ucraniano agradeceu ainda a Joe Biden o “apoio cândido” e por “compreender” a missão levada a cabo pela Ucrânia. “Estou grato ao presidente Biden pelos seus passos e esforço pessoal, na tentativa de unir os parceiros a nível internacional”, acrescentou.

Entretanto, o Kremlin, pela voz de Dmitri Peskov, reagiu, alertando que o aumento do fornecimento de armas dos Estados Unidos para a Ucrânia agravará a guerra. As armas fornecidas pelo Ocidente a Kyiv “leva a um agravamento do conflito”, apontou, observando que “não é um bom presságio para a Ucrânia”.

Zelensky seguiu para o Congresso, onde, junto a Nancy Pelosi e Kamala Harris, vice-presidente dos Estados Unidos, fez um emocionante discurso, que lhe ‘valeu’ aplausos de pé. Perante os responsáveis norte-americanos, o presidente da Ucrânia considerou que o dinheiro entregue pelos Estados Unidos à Ucrânia “não é caridade”, mas “um investimento na liberdade” e na “segurança global”.

“A tirania russa já não tem qualquer controlo sobre nós”, acrescentou o líder de Kyiv num discurso em inglês de 20 minutos, que fechou a primeira viagem do líder ao estrangeiro desde a invasão da Ucrânia a 24 de Fevereiro.

O chefe de Estado ucraniano realçou que o que está em jogo no conflito é maior do que apenas o destino do seu país, salientando que a democracia em todo o mundo está a ser testada. “Esta batalha não pode ser ignorada, à espera que o oceano ou qualquer outra coisa forneça proteção”, frisou, agradecendo aos norte-americanos pelo apoio e liderança internacional na ajuda à Ucrânia.

Disse também que “os soldados ucranianos podem perfeitamente operar tanques e aviões americanos”, numa referência ao equipamento que Washington se recusou a fornecer… até agora.

E, no final do discurso, Zelensky dirigiu-se a Pelosi e Harris. “Quando eu estava ontem [terça-feira] em Bakhmut [uma cidade na região de Donetsk devastada por combates], os nossos heróis deram-me a bandeira, a bandeira deles. A bandeira daqueles que defendem a Ucrânia, a Europa e o mundo à custa das suas vidas”, sublinhou, antes de entregar às duas responsáveis a bandeira ucraniana, azul e amarela, coberta com as assinaturas dos militares.

Em troca, recebeu uma bandeira norte-americana que tinha sido hasteada no topo do Capitólio nesse mesmo dia para assinalar a visita.