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Venezuela: perigo de uma guerra civil é real

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Há já quatro meses que a Venezuela vive mergulhada no caos devido às permanentes manifestações organizadas pela oposição para exigir a realização de eleições gerais por não reconhecerem legitimidade a Maduro.

Face a esta posição, o regime respondeu com a realização de eleições para uma nova Assembleia cujo objectivo quase em exclusivo é desenhar uma nova Constituição, com a qual Nicolás Maduro diz que vai meter o país na ordem, mudando tudo, desde o poder judicial ao Parlamento.

Os dados oficiais apontam para que cerca de oito milhões de eleitores (41 por cento) tenham votado no Domingo pela Constituinte, rebatidos de imediato pela oposição, que garante que menos de 12 por cento dos 19 milhões de eleitoras votaram, num dia que marca um ponto de viragem na Venezuela e que foi o mais mortífero dos quatro meses de protestos que já fizeram mais de uma centena de mortos e milhares de feridos.

Apesar de a votação ter sido concluída, contrariando a oposição que afirmara nos dias anteriores que isso não iria acontecer, o líder dos contestatários do regime, Henrique Capriles, pediu aos venezuelanos para não deixarem as ruas em protesto contra a “fraude eleitoral” e o “massacre” perpetrado pelas forças de segurança.

“Não reconhecemos este processo fraudulento, para nós é nulo, não existe”, afirmou Capriles, citado pela generalidade da imprensa, ao mesmo tempo que agendava um gigantesco protesto para quarta-feira, dia em que Maduro vai ser a sua Constituinte tomar posse, alicerçado na convicção de que os oito milhões de votos que obteve em apoio da sua proposta lhe dão a legitimidade “total” para prosseguir o seu projecto de poder.

Nicolás Maduro disse mesmo que esta foi a mais expressiva votação e manifestação de apoio à sua revolução bolivariana, igualando, pelo menos, a votação do ex-Presidente Hugo Chávez, em 2012, com pouco mais de 8, 2 milhões de votos, tendo ainda reafirmado que a oposiç~”ao, “com o apoio do imperialismo norte-americano”, tudo fez para “ameaçar os venezuelanos” de forma a que estes não fossem às urnas.

Os próximos dias vão ser cruciais para verificar se a Venezuela, depois de Maduro ter conseguido eleger os seus 545 deputados constituintes, retoma a normalidade ou, como muitos venezuelanos ouvidos pelo media locais e internacionais dizem temer, se adensa ainda mais o turbilhão de violência e morte, desaguando tudo numa guerra civil de consequências impossíveis de antever.

Para já, segundo o discurso de vitória de Maduro, depois do Parlamento, claramente anti-Maduro, a vítima seguinte destas eleições vai ser a Procuradoria-Geral que, segundo as suas palavras, vai ser “imediatamente reestruturada”.

E a outra consequência imediata pode ser o esboroar total das já frágeis relações com os EUA porque, como também afirmou o Presidente da Venezuela, “o que diz (Donald) Trump não interessa para nada. O que importa é o que diz o povo venezuelano”.

Isto, depois de os EUA terem divulgado, ainda no Domingo, que não reconhecem estes resultados e prometeram mesmo “medidas duras” contra o Governo de Nicolás Maduro, alegando que a eleição da Constituinte “põe em risco o direito do povo venezuelano à autodeterminação”.

Sucederam-se na recusa da legitimidade eleitoral de Maduro países como o Brasil, Canadá, Espanha, Guatemala, Argentina ou ainda a Colômbia, entre outros.

Recorde-se que, como pano de fundo para o turbilhão em que o país vive está a profunda crise económica gerada com a queda do preço do petróleo, levando a uma generalizada falta de alimentos e medicamentos, com milhares de venezuelanos a abandonarem o país nos últimos meses.

Como momento bizarro nestas eleições ficou o não reconhecimento da Comissão Eleitoral do cartão de eleitor de Nicolás Maduro que, quando foi votar, assim que as urnas abriram, ouviu como resposta que o sistema não reconhecia a sua existência.

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