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Vendedoras ambulantes denunciam actuação “abusiva” de fiscais

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Na Centralidade do KK 5000, no município de Belas, vendedeiras ambulantes afirmam que a rua continua a ser a principal alternativa de sustento.

Dona Sónia conta que é da venda informal que consegue garantir o sustento da família, afirmando que nos mercados formais o rendimento é insuficiente. Aponta ainda a actuação dos fiscais e as constantes fiscalizações como um dos principais desafios da sua actividade.

“Vender na rua acaba por ser mais rentável do que no mercado. É daqui que consigo garantir o jantar em casa e pagar a escola dos meus filhos”, disse.

A vendedeira conhecida como mamã Chana relata que abandonou a praça por falta de lucro e devido a conflitos frequentes entre colegas.

“Já investi muito no mercado, mas não tive retorno. Aqui na rua, mesmo com pouco investimento, consigo obter mais lucro e sustentar a minha família, incluindo a educação dos meus filhos”, contou.

Também enfrentamos dificuldades com os fiscais: há situações em que, além de apreenderem os produtos, levam as vendedeiras. Em alguns casos, pedem dinheiro para devolver a mercadoria e, quando não conseguem, chegam a fazer propostas abusivas”, revelou.

Já a psicossocióloga Arieth Francisco considera que a permanência destas mulheres no comércio informal em locais impróprios está directamente ligada à necessidade de sobrevivência das suas famílias.

 “As vendedeiras permanecem nas ruas por uma questão de sobrevivência e de sustento das suas famílias. Existe uma forte motivação por trás dessa persistência, que poderia ser muito bem aproveitada em contextos mais estruturados da nossa sociedade”, disse.

Entretanto, a Administração da Centralidade KK 5000 desaconselha a venda ambulante e alerta que a prática em locais impróprios gera impactos negativos, incluindo a obstrução de vias públicas, entradas de hospitais, escolas e zonas de risco.

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