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Sociedade

Venda de caporroto ganha cada vez mais clientes em tempo de pandemia

António Sacuvaia

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O consumo de caporroto, agora apelidado de “água do chefe”, tem estado, nos últimos dias, a ganhar cada vez mais clientes, em vários municípios de Luanda.

Em fase de pandemia, o que noutrora era encarado como um tabu, hoje, a bebida destilada em moldes tradicionais, está a ser consumida até pelos “grandes chefes”.  É o que dizem, as vendedoras e fabricantes, numa conversa mantida nesta terça-feira, 24, com a equipa de reportagem, do Correio da Kianda.

O Zango, Rocha Pinto, Kikolo e a zona da Caop-Prédio, em Cacuaco, figuram-se na lista das regiões de Luanda onde mais se pode encontrar fabricantes e, consequentemente,  os seus consumidores. Foi o que constatou a equipa deste Jornal, durante um périplo efectuado em alguns municípios de Luanda.

A tendência de maior procura da bebida também conhecida por capuca em tempos de pandemia, segundo fabricantes, está associado com o facto de algumas pessoas acreditarem, na hipótese de que a ingestão de bebidas quentes, sobretudo caseiras, como no caso em concreto, o caporroto, pode prevenir ou combater o vírus da covid-19.

“Antigamente desprezavam a capuca, hoje, até os chefes da cidade com carros bonito, andam a vir aqui na Caop-Prédio à procura da minha capuca, por ser da boa”, disse Nanga Albertina, fabricante de caporroto, em Cacuaco, em entrevista ao Correio da Kianda.

Segundo a fabricante, que também trabalha como comerciante na sua residência, apesar do combate intensificado das autoridades às casas de fabrico, a procura pela bebida caseira aumentou significativamente, desde o surgimento da pandemia, ao contrário de outros anos.

“Antes quando vinha Polícia aqui, nós nos preocupávamos em esconder a capuca, hoje, desde que surgiu o coronavírus, os Polícias são os clientes que mais vêm a procura deste produto. Até os comandantes, costumam vir comprar a minha capuca”, fez saber.

Questionada se acredita na crença de muitos que dizem que o caporroto pode servir de inibidor na prevenção ou no combate à covid-19, Nanga Albertina, de forma concisa, respondeu “não acreditar e considerou tal afirmação popular como um mito, que tem estado a transformar muita gente em consumidores excessivos de caporroto.

“Eu não acredito no que as pessoas andam aí a dizer, que caporroto ajuda a matar o vírus da covid. Fabrico essa bebida há muitos anos, mas só desta vez é que tenho estado a receber clientes que vêm até da cidade”, enfatizou.

Segundo um alerta da Organização Mundial da Saúde, publicado ainda este ano no seu site, aquela entidade tem a manifestar-se preocupado diante da vulnerabilidade de crença do público em relação a qualquer informação que possa parecer verdadeira para si, sem apuração ou comprovações científicas.

De acordo com a OMS, o abuso de qualquer tipo de bebida alcoólica representa um risco à saúde, mas, principalmente, caso tenha sido adulterado com metanol, tornando as consequências mais graves ao organismo, podendo levar à morte.

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