Connect with us

Opinião

Vai tudo para o Estado

Ladislau Neves Francisco

Published

on

Antes mesmo de entrar na verdadeira ideia do texto e portanto, de qualquer questão pontual sobre este “VAI TUDO PARA O ESTADO”, permitam que lhes diga: Estava errado; Afinal não era o começo do fim da UNITEL. Um erro na previsão apresentada num texto, para esta mesma plataforma, com o mesmo título, “COMEÇO DO FIM DA UNITEL“. Mas não há makas de nenhum tipo, afinal, só há uma certeza nas previsões, provavelmente estão erradas!

Afinal não era o começo do fim da UNITEL. Era só o começo do fim de Isabel Santos, rica, gestora fantástica, que via e fazia dinheiro onde mais ninguém via. Sim, parece piada, mas não. A casa caiu, agora já sabemos o que sempre soubemos, mas não sabíamos. Um pouco de filosofia barata. Sim, só com filosofia e um mix de água e calma para levar com tudo que um hacker tuga que nem nada tem que ver com problema, descobriu e trouxe à tona: Chamam-no LUANDA LEAKS! Mas não, não vamos falar da Isabel, já tem ela e toda sua gangue muita batata quente para esfriar.

Mentira, vamos mesmo falar da Isabel. Ao menos de coisas ligadas ou que estiveram ligadas a ela. Com esquema financeiro e organização empresarial complexa, Isabel dos Santos contruiu um verdadeiro labirinto, no qual, pelos corredores corriam dinheiro, e muito. Acontece que desde a saída da SONANGOL, Isabel anda na mira da PGR por alegada transferência ilegal, depois mesmo de já ter sido exonerada do cargo de PCA da empresa pública. E isso sem contar os negócios que fez consigo mesma, os quais, agora se sabe, são só uma ponta de todo imbróglio que agora são conhecidos através do LUANDA LEAKS.

A questão é que todo o esquema financeiro e toda imagem de gestora fantástica que trazia know-how e dava empregos estáveis e seguros em Angola (coisa que eu aprecio) está assente em dinheiros do Estado, dinheiro que usou, abusou e apesar de reconhecer que tenha usado, diz hoje, não ter condições para devolver. Pelo que, o Estado vai atrás, e consegue o arresto das suas contas e posições financeiras. É exactamente aí que começa a coisa: Vejamos então que o fim último desta empreitada toda, mais que atirar lama porca e gruedenta a imagem mundialmente imaculada da empresaria mais rica de África, o Estado angolano quer mesmo ser o último beneficiário do resultado de tudo que a empresária dos ovos de ouro construiu/comprou com o dinheiro que é do Estado e sempre foi. E faz sentido. Mas também não faz sentido! Outra vez filosofia?  – Não!

É que existem duas correntes que vão uma contra a outra. Se por um lado, faz todo sentido politico ir atras e reaver o que é do Estado para a esfera do Estado, e portanto alienar empresas e tudo mais que Isabel tenha feito/conseguido com dinheiro público; Por outro, há a questão económica, e essa vai totalmente contra. Pelo menos contra a ideia de adicionar despesas (ordenados que não são baixos dos muitos funcionários, só para se ter ideia) e de adicionar estruturas empresariais ao já pesado camião do Estado. Tão pesado, que não a muito tempo, apenas se falava na possibilidade de o Estado vender cerca de 30 empresas e/ou participações em empresas. Caso que inclusive, levou-me a escrever o texto “É TUDO DO ESTADO”. E agora? – Outro dilema, o que leva a cura, é o que provoca a doença.

Tem solução! E parece ser a solução que o Estado pretende seguir. Receber tudo, ir tudo para o Estado e depois vender. Okay! Mas como garantir que em caso de venda destes bens, eles não vão parar nas mãos de outro especialista em saquear o Estado? Pois… E isto numa altura que já se fala de que os bens de outro tubarão que também já sabemos, mas não sabemos, estarão na mira do Estado.

Continue Reading
Advertisement
Click to comment

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Advertisement

Colunistas

Ladislau Neves Francisco
Ladislau Neves Francisco (19)

Politólogo - Comunicólogo - Msc. Finanças

Olivio N'kilumbo
Olivio N'kilumbo (21)

Politólogo

Vasco da Gama
Vasco da Gama (74)

Jornalista

Walter Ferreira
Walter Ferreira (14)

Coordenador da Plataforma Juvenil para a Cidadania