Politica
UNITA e PRA-JA disputam influência eleitoral em Luanda enquanto MPLA aponta vantagem
O secretário provincial da UNITA em Luanda, Adriano Sapinala, afirmou, esta quarta-feira, 25, que oito em cada dez cidadãos na capital angolana tendem a votar no seu partido.
A declaração foi contestada pela coordenadora da MUSA — braço feminino do PRA-JA Servir Angola —, Amélia António, que sustenta que, entre os eleitores referidos pela UNITA, pelo menos quatro apoiam o partido liderado por Abel Chivukuvuku.
Por sua vez, o membro do Comité Central do MPLA, Bali Chionga, considera que, com base nos resultados das eleições de 2022, seis em cada dez eleitores votam no MPLA, enquanto os restantes quatro distribuem-se pela oposição.
As declarações de Adriano Sapinala foram feitas no anúncio de uma marcha prevista para este sábado, 28, com percurso entre a Vila Alice e a nova sede da UNITA, no bairro São Paulo, município do Sambizanga. Na ocasião, o dirigente reiterou a confiança de que o partido, conhecido como “Galo Negro”, mantém forte implantação eleitoral em Luanda.
Em resposta, Amélia António afirmou que o desempenho eleitoral da UNITA em 2022, particularmente em Luanda, resultou em grande medida do apoio do PRA-JA Servir Angola, alegando que esta formação política possui forte aceitação sobretudo no casco urbano da capital.
Entretanto, Bali Chionga desvalorizou a disputa numérica entre as duas forças políticas, defendendo que tais declarações carecem de fundamentação rigorosa. O também jurista entende que o cenário político aponta para um pleito competitivo em 2027, que poderá assumir contornos de disputa directa entre a UNITA e o PRA-JA Servir Angola.
Segundo o dirigente do MPLA, os resultados alcançados pela UNITA em 2022 refletem a convergência de esforços no âmbito da Frente Patriótica Unida. Com o afastamento entre os seus integrantes, antevê-se uma redistribuição do eleitorado, o que poderá fragmentar o voto da oposição.
Bali Chionga admite ainda que o Bloco Democrático, também integrante da antiga FPU, poderá desempenhar um papel relevante, concorrendo de forma autónoma ou em coligação, na tentativa de consolidar o apoio obtido nas eleições anteriores.
Apesar das divergências, o político reafirma a leitura de vantagem do MPLA com base no histórico eleitoral recente, reiterando que a oposição, no seu conjunto, mantém um peso eleitoral inferior.
Por fim, comparou a dinâmica política à competição desportiva, sublinhando que, tal como no futebol, os partidos que perdem tendem a querer disputar novas eleições o mais rapidamente possível.
