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Opinião

Um novo desafio no jornalismo

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Há cerca de três meses fui desafiado pela direcção do Correio da Kianda a assinar artigos de opinião meus, na sequência do que já vinham fazendo, esporadicamente, em outro veículo digital. Confesso que já fazia parte das minhas pretensões, mas mesmo assim, no momento caiu-me a ficha sobre a responsabilidade pessoal enquanto militante da escrita como ofício profissional. Tentei vários assuntos, mas o factor tempo, acrescido da pressão diária da actividade profissional e, sobretudo pela dinâmica do Correio da Kianda, cujos assuntos quentes não respeitam, nem esperam hora do expediente para cair na redação virtual, aliado aos recorrentes cortes no fornecimento de energia elétrica aos finais de semana, com direito a anúncios, têm impedido o cumprimento desse novo e especial desafio jornalístico.

Talvez o leitor se pergunte onde estará a dificuldade. A verdade é que é um desafio realmente duro, passar várias horas a frente do computador ou nos corre-corre entre uma pauta e outra, as vezes a interpelar fontes para falar de assuntos que eles próprios acham que percebem e ter o jornalista a missão de traduzir em um discurso para gente do bairro e de elite entender, esgota tanto a mente que nem tempo resta para reflectir sobre um assunto qualquer e despertar atenção do webleitor para o tema que se pretenda trazer à baila.

Tempo real e disposição psicológica para parar e reflectir com os meus botões e dele retirar conclusões partilháveis com o exigente público do Correio da Kianda, tem sido mais difícil que ver motivos de alegria no rosto do cidadão angolano, que todos os dias cedo acorda, mas no final do mês procura o valor e destino dos seus ordenados.

Os constantes ataques em moçambique, os encontros de líderes africanos que se juntam para tirar uma ceia ao som de uma voz discursante, o pano de fundo das manifestações em Luanda, o alto preço do pão e a sua qualidade, a surpreendente morte de Deputado Raul Danda, os recorrentes e humilhantes episódios de escândalos financeiros no país, são apenas alguns dos temas que chegaram a estar na agenda, alguns inclusive já escritos, mas que não chegaram a ser publicados porque o corre-corre da vida de ser jornalista inviabilizou a sua divulgação no momento oportuno.

A nova missão, para mim a arte de escrita jornalística, requer, tal como ensinado na academia, que se faça com a clara distinção do género e categoria em que se quer e vai realmente escrever, para evitar inserir na notícia e na reportagem opinião própria que influencia directamente a opinião do público, que as vezes não é a mais conveniente. Ou seja, a precaução está na nossa pretensão de evitar trazer notícias com comentários, que soam uma carga valorativa.

Por esta razão, pretendo criar umas horas de celibato noticioso, sobretudo depois de elaborar um artigo de opinião, para evitar correr o risco de nas horas seguintes escrever notícias e reportagens providas de todo e qualquer juízo valorativo.

É um desafio que abraçamos, de forma esporádica, apesar de que a pretensão seja fixar a periodicidade de publicação, a fim de manter uma relação de fidelidade com o leitor. Aliás estabelecer uma periodicidade fixa, resultaria na tentação involuntária de trazer artigos que se pareceriam a editorial do Correio.

Está aqui assumido o nosso compromisso quinzenal, com a maior imparcialidade. Aliás, na vida profissional a isenção não é um valor alcançável na sua plenitude, mas a imparcialidade é e será certamente um amuleto para equilibrar. Jornalismo é isso, trazer equilíbrio. Nos géneros da categoria de informação o equilíbrio é o cruzamento de fontes, ao passo que na categoria de opinativos é mesmo a imparcialidade. Portanto, não se trata de escolher entre um ou outro tipo de jornalismo, apenas mais um desafio na missão diária de comunicar. Notícia ou Opinião, é jornalismo e é dentro das regras que nos comprometemos escrever. Às segundas-feiras.

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