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Crónica

Um mês depois e muitas perguntas no futebol angolano

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Passou exactamente um mês desde que o técnico francês Patrice Neveu Boumelle, melhor dizendo, Patrice Boumelle, deixou o comando técnico dos Palancas Negras. Em circunstâncias normais, esse tempo já teria sido suficiente para que a Federação Angolana de Futebol apresentasse um novo seleccionador, definisse um rumo e tranquilizasse os adeptos.

Mas o que se vive hoje no desporto angolano é o oposto: dúvidas, especulações e, sobretudo, silêncio.

Curiosamente, a principal conversa entre adeptos e analistas não tem sido apenas a saída do treinador. O que mais inquieta é o facto de Angola não participar nos jogos da actual FIFA International Match Calendar, conhecidos como datas FIFA deste mês. Numa altura em que várias selecções aproveitam estas janelas para testar jogadores, consolidar sistemas e preparar competições futuras, os Palancas Negras ficam de fora do relvado.

A explicação apresentada pela federação, através de um comunicado que rapidamente circulou nas redes sociais, apontou para a situação no Médio Oriente como factor condicionante. A justificativa, porém, não convenceu a todos. Para muitos observadores, a ausência de Angola nestes jogos deixa mais perguntas do que respostas.

Como se não bastasse, quase no final da semana surgiu um novo episódio. O antigo seleccionador Pedro Gonçalves, em declarações ao jornal O País, revelou que a federação ainda lhe deve mais de 35 milhões de kwanzas. A afirmação reacendeu um debate que parecia adormecido: a gestão financeira e administrativa do futebol nacional.

Entre os vários comentários que circularam, um chamou particularmente a atenção. O analista desportivo João Victor considerou que este tipo de situação pode beliscar o processo de contratação de um novo treinador. Afinal, que técnico aceitará assumir um projecto sem garantias claras de estabilidade institucional e financeira?

Outro ponto que alimenta a desconfiança pública é o desencontro entre discurso e realidade. A federação chegou a dar a entender que o novo seleccionador seria apresentado em poucos dias. Um mês depois, porém, não há anúncio, não há conferência de imprensa e não há explicações adicionais.

No meio de tantas críticas, acusações e interrogações, o que mais chama a atenção é precisamente o silêncio do órgão que tutela o futebol angolano. E no desporto, como na política, o silêncio raramente é neutro, muitas vezes acaba por falar mais alto do que qualquer comunicado.

Resta saber: estamos diante de um simples atraso administrativo ou de um problema mais profundo na gestão do futebol nacional?

Por agora, os adeptos continuam à espera.

E o país observa, atento, os próximos capítulos desta história.

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