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Politica

Tulinabo Mushing, o maestro da aproximação entre Angola e EUA chega a fim de mandato

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O ainda mais alto responsável representante da Casa Branca em Angola fica por Luanda até Março/Abril de 2025, período preciso que marca o fim de seu consulado, mas o presidente Biden já iniciou o processo para a sua substituição. Abigail L. Dressel, que já esteve no país na qualidade de chefe do Departamento de Estado para principais meios de comunicação internacionais, é a nova aposta da Administração norte-americana.

O diplomata Tulinabo Mushing, 68 anos de idade, chega ao fim de mandato como embaixador dos Estados Unidos da América (EUA) em Angola, já no próximo ano. E não se conhecendo ainda o perfil, as ordens dadas e os objectivos de sua provável sucessora, a sua saída do posto que ainda ocupa agrada aos governos concorrentes da Casa Branca na relação com Angola, uma importante potência da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).

Na perspectiva diplomática, Tulinabo Mushing tirou a ‘paz’ ao embaixador da Rússia em Angola. Jamais, ao longo dos 49 anos de independência de Angola, o país esteve tão próximo dos EUA como agora.

A Rússia, maior potência nuclear do mundo, sempre foi o mais importante parceiro do MPLA e do Governo angolano à face da terra. Apoiou os ‘camaradas’ na luta contra a ocupação colonial portuguesa, na luta contra a UNITA, esta apoiada pelos EUA para a expansão da ideologia democrática, e manteve uma parceria fiel ao amigo, sem questionar a transparência da gestão dos empréstimos e/ou sobre direitos humanos.

Diferente da Rússia, os EUA queriam o fim do MPLA enquanto governo. Mas, como hábeis players da política internacional, os norte-americanos viraram tacitamente as costas à UNITA e estabeleceram relações com o Governo angolano em 1993.

O novo relacionamento fixou-se mais na perspectiva comercial, sobretudo no mercado petrolífero, sendo que no campo político-diplomático a Rússia, numa analogia xadrezista, era evidentemente o ‘Rei’.

Entretanto, uma realidade que acabou alterada com a indicação de Tulinabo Mushingi como embaixador dos EUA.

Obviamente que a aproximação entre os norte-americanos e angolanos já era “algo possível” para Joe Biden na altura em que era senador, mas ao chegar à presidência do seu país, precisava de um diplomata com as habilidades de Tulinabo, um profundo conhecedor das necessidades e comportamentos dos povos e lideranças angolanas, tendo em conta a sua proximidade cultural.

Embora não tenha havido explicitamente um ‘xeque-mate’ contra os russos, os norte-americanos passaram a ocupar vários espaços antes dominados por Moscovo.

No campo militar, o Governo já manifestou a intenção de substituir o material bélico russo pelo equipamento da NATO, organização transatlântica liderada pelos EUA. E na arena internacional, Angola passou a posicionar-se a favor das posições que vão de encontro aos interesses dos EUA e do Ocidente Alargado.

Contrariamente aos seus antecessores à frente da embaixada, Tulinabo Mushingi, pelo menos daquilo que o próprio fez publicamente transparecer, desconhece qualquer mácula no Governo angolano.

Durante o seu consulado de três anos, iniciado precisamente em Março de 2022, quando apresentou as suas cartas credenciais ao Presidente João Lourenço, Mushingi demonstrou estar afincadamente comprometido com as causas angolanas e das autoridades.

“Os Estados Unidos da América pretendem melhorar as relações com Angola nos domínios da segurança, economia e boa governação e continuar a trabalhar juntos, sobre as prioridades habituais para tentar produzir resultados para ambos os povos (…). Cada companhia americana tem alguns princípios que nós queremos que os angolanos saibam, como a transferência de tecnologia, a criação de empregos, a transparência, mas também no uso do conteúdo local”, disse Tulinabo Mushing na sua primeira intervenção como embaixador em Angola, à margem da cerimónia presidida pelo Presidente da República.

Na ocasião, o diplomata anunciou o interesse de 16 companhias norte-americanas de investirem no país.

Irritante com a oposição…

O registo histórico aponta que os EUA sempre procuraram estar do lado da democracia e dos direitos humanos, o que acaba por aproximá-los, em muitos casos, aos partidos na oposição. E em face disso, associado ainda à sua aproximação histórica com a UNITA, nunca um líder dos ‘maninhos’ ousou, publicamente, acusar os EUA e o seu embaixador de “dupla face”. Talvez o façam nos corredores do partido, mas jamais publicamente.

Adalberto Costa Júnior, actual presidente da UNITA, irritou-se a sério com a forma de ser estar na política-diplomática do embaixador Tulinabo, e não resistiu a tentação de dar-lhe um ‘golpe verbal’ publicamente.

Para o líder da UNITA, os “interesses [dos EUA estão a colidir] com a verdade [em Angola]”, e acusou os EUA de “terem dupla face”. Mas precisamente sobre o embaixador Tulinabo Mushingi, Adalberto Costa Júnior considerou que este dirige a relação entre os dois Estados num “modelo de cooperação partidária”.

Entretanto, a Embaixada dos EUA ainda não reagiu às declarações do líder da UNITA, o maior partido na oposição angolana.

Esse ataque público de Adalberto Costa Júnior surge em reacção à postura de Tulinabo S. Mushingi, que, em cumprimento de sua missão de aproximar o seu país a Angola, não identificar e/ou apontar qualquer falha à governação.

O diplomata Tulinabo S. Mushingi, Ph.D., foi nomeado embaixador em Angola pelo presidente Biden a 19 de Abril de 2021, e confirmado pelo Senado dos EUA a 18 de Dezembro de 2021. Antes da nomeação, Mushingi serviu como embaixador no Senegal e na Guiné-Bissau de 2017 a 2022, e como embaixador em Burkina Faso de 2013-2016. Foi igualmente secretário Executivo Adjunto na Secretaria Executiva e Director Executivo do Escritório Executivo da Secretaria de Estado de 2011 a 2013, bem como, entre outros cargos, foi chefe de Missão Adjunto na Embaixada dos Estados Unidos na Etiópia, de 2009 a 2011.

Entrada em cena de Abigail L. Dressel

Contrariamente ao que vários meios estão a noticiar, não é ainda um dado adquirido de que Abigail L. Dressel venha a ser a próxima embaixadora dos EUA em Angola, dado que deve ser ainda aprovada ou chumbada pelo Senado.

O presidente norte-americano, Joe Biden, manifestou “a intenção de nomear” Abigail L. Dressel em substituição de Tulinabo cujo mandato termina no próximo ano. Como fez saber ao Correio da Kianda, fontes do Gabinete de Comunicação da embaixada, não se trata de uma exoneração de Tulinabo Mushingi, como vários segmentos, com certa satisfação, têm apregoado, mas sim de uma substituição obrigatória face às regras de término de mandato.

De referir que Abigail L. Dressel é igualmente uma diplomata experimentada. Já trabalhou em Angola, na qualidade de chefe do Departamento de Estado para principais meios de comunicação internacionais.

Casada, é natural de Wallingford, Connecticut, e formada em assuntos internacionais pela Universidade George Washington. Fala fluentemente espanhol e português.

Em sua carreira, já foi vice-chefe de missão na Embaixada dos EUA em Buenos Aires, Argentina, em 2022. Anteriormente, desempenhou o cargo de vice-chefe de Missão na Embaixada dos EUA em Maputo, Moçambique, de 2019 a 2022, onde gerenciou as actividades diplomáticas diárias dos EUA, incluindo a supervisão de mais de 500 milhões de dólares em assistência anual.

É membro de carreira do Serviço Exterior Sénior com o posto de ministra conselheira. Foi igualmente conselheira para Assuntos Públicos nas Embaixadas dos EUA na Colômbia (2017-2019) e no Brasil (2014-2017), onde liderou a diplomacia pública e os aspectos de imprensa da relação bilateral e actuou como co-presidente do Conselho de Administração da Fulbright.