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Trump: o presidente que os americanos nunca deveriam ter escolhido

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A raiz do poder norte-americano está solidamente fixa nos seus aliados, sobretudo na Europa. O corte destas raízes significaria subitamente a morte dos EUA enquanto potência militar global. E não há na história uma outra Administração na Casa Branca que tenha procurado queimar estas raízes como a de Donald Trump, que pretendia submeter o país a um auto-isolamento em relação ao Ocidente Alargado. Há quem tenha inclusive suspeitado, com certo exagero ou não, que Trump tivesse sido para a Rússia o que foi Eli Cohen e Ashraf Marwan para Israel no século passado.

Os norte-americanos elegeram pela primeira vez Donald Trump como presidente em 2016, um resultado que não se repetiu no pleito eleitoral seguinte, eleições de 2020, em que o empresário chefe de Estado tombou diante do democrata Joe Biden.

Donald Trump, que pretende regressar à Casa Branca, com a participação nas eleições de Novembro deste ano, teve apenas um mandato de quatro anos à frente do governo norte-americano, mas neste pouco tempo, as instituições americanas foram tão negativamente expostas como nunca acontecera ao longo dos 248 anos de independência.

Além de seu empenho pessoal para descredibilizar as instituições do país diante das instituições russas, Donald Trump criou mecanismos que puseram em causa a relação secular entre os EUA e Europa, bem como o Ocidente Alargado, zonas geográficas e geopolíticas que acabam de ser o garante da raiz do poder norte-americano no mundo.

O corte destas raízes, caso Trump tivesse sucesso ou venha a ter caso regresse a Casa Branca, significaria subitamente a morte dos EUA enquanto potência militar global.

Investigações de diferentes organismos de segurança dos EUA apontaram que a vitória de Trump em 2016 resultara de operações de hackers russos.

Em reacção, Donald Trump, então ainda no poder, disse confiar nas informações passadas pelos russos, de que as alegações da CIA eram falsas. Uma postura que acabou por credibilizar as instituições russas sobre instituições americanas.

Noutras ocasiões, Trump defendeu o fim ou a retirada dos EUA da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN – NATO), a maioria aliança militar do mundo, liderada pelos norte-americanos, e que tem servido de dissuasor contra os intentos globais russos.

O modo como Donald Trump manifesta admiração por Vladimir Putin, o presidente russo, bem como a forma como trata com desprezo as agências de inteligência de seu país em relação aos serviços de inteligência do Kremlin, gera várias suspeições nos EUA e entre os aliados.

Por exemplo, com certo exagero ou não, há quem sugere que Donald Trump possa ser um indivíduo recrutado por Moscovo a mais alto nível, à semelhança do que Eli Cohen e Ashraf Marwan foram para Israel, no século passado.

Ashraf Marwan, cidadão egípcio, foi genro do então presidente do Egipto Gamal Abdel Nasser, entre a década de 60 e 70. Entretanto, acabou recrutado por Israel, que lhe colocou muitos bilhões de dólares à disposição.

Com a morte do sogro, Ashraf subiu na hierarquia presidencial, tendo sido conselheiro de Anwar Sadat, o sucessor de Nasser, e mais tarde ascendeu ao cargo de secretário do presidente da República para as Relações Exteriores. Ambas funções dava a Ashraf a possibilidade de participar em reuniões de estratégia militar, e acesso directo a documentos sensíveis.

Marwan despachara para a então primeira-ministra israelense, Golda Meir, e ao ministro da Defesa, Moshe Dayan, os planos de guerra egípcios completos, relatos detalhados de exercícios militares e documentações de reuniões e conversas de Sadat com outras diplomacias, informações que permitiram Israel resistir ao ataque egípcio na guerra de 1973.

Igualmente clássica foi a actuação de Eli Cohen, também egípcio, que se fez passar por um empresário com fortes raivas dos israelitas. Com dinheiro à disposição, apoiou o financeiramente os sírios na diáspora argentina, e financiou o então governo sírio, tendo chegado a ser amigo íntimo do presidente Amin El Hafez, que o queria nomear ministro.

Apesar de não ser parte do governo, participava das reuniões de segurança e presidência da Síria. Passou informações sigilosas a Israel, que permitiram aos judeus saírem-se vitoriosos na conhecida guerra dos seis dias, de 1967.

Portanto, para diferentes observadores, o modo como Donald Trump se desdobra, geram suspeições típicas de espionagem e/ou de acções que visam engrandecer a Rússia sobre o Ocidente Alargado.

Os EUA jamais terão a mesma importância no mundo caso abandone a NATO ou impulsione ao seu desmembramento. Sem se interessar pelas consequências, o empresário Donald Trump fala levianamente da possibilidade de guerra civil nos EUA. Diz que perdeu por fraude eleitoral e promete um “banho de sangue” caso perda as eleições.

Essa postura com potencial de levar os EUA a perderem o estatuto de defensor da democracia no mundo apenas engrandece o maior adversário do país, que parece não ser igualmente seu adversário.

Elogios a Trump

Criticado pelo mundo ocidental por algumas outras democracias do mundo, Donald Trump é também aplaudido por outras geografias e organizações políticas.

Por exemplo, aquando de sua saída do poder, em 2021, o Partido (brasileiro) de Causas Operárias (PCO), emitiu um comunicado expressando agradecimento pelo facto de Donald Trump não ter iniciado nenhum conflito militar no mundo.

“Trump não iniciou nenhuma guerra em seu mandato. Uma coisa é sua retórica fascista, outra é sua prática que pode ser considerada até mesmo pacifista se comparada à de seus antecessores (e à de seu sucessor, Joe Biden). Nos últimos 100 anos, Trump foi um dos poucos presidentes dos EUA a não iniciarem uma única guerra. Esse é um dos motivos pelos quais não é tolerado pelo imperialismo”, iniciara por sublinhar o PCO.

No documento, o partido considerava ainda que “Trump combateu o identitarismo” e que, por esse motivo, “o imperialismo dirigiu seus ataques não à política geral de Trump e do governo norte-americano que, apesar de ser diferente da política geral do imperialismo, se confunde com ela em muitos aspectos. Dirigiu seus ataques à pessoa Donald Trump, sendo, nesse sentido, ataques moralistas, aproveitando-se do facto de que o presidente dos EUA é um fascista declaradamente inimigo das mulheres, dos negros, dos LGBT, dos imigrantes, dos indígenas, dos ambientalistas, etc”.

Para o PCO, Donald Trump é um dos mais sinceros presidentes à face da terra, que diz o que pensa, ao contrário dos capitalistas (democracias) que, na sua observação, nutrem ódio pelos pobres, mas fingem protegê-los.