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Tropas israelitas cansadas e sem a performance de há 30 anos

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O impensável está a acontecer. O Hamas resiste face às IDF numa guerra contínua que já soma quase um ano. Visivelmente alheio à realidade, Benjamin Netanyahu insiste na necessidade de o exército avançar para uma frente de batalha bem mais alargada com o Hezbollah, o grupo militar que controla parte significativa do Líbano. O que é facto é que o grupo liderado por Sayyid Hassan Nasrallah não é despreparado como o Hamas, é consistentemente forte, e já impôs imensas dificuldades no passado à Israel, numa investida que só conheceu o seu término com a intervenção da ONU.

As Forças de Defesa de Israel (IDF) estão desavindas com o chefe do governo, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, pelo facto de o líder governamental pretender a continuidade das operações militares no sul de Gaza, e alargar a frente militar no Líbano, opções que são contestadas pelos comandantes militares, que dizem que os homens sob suas ordens estão exaustos face ao longo período da guerra.

Netanyahu, antigo militar e espião, parece estar preso na história da invencibilidade de seu tempo do exército israelita. Mas os factos actuais demonstram o contrário, as forças armadas de Israel enfrentam uma guerra há quase um ano com o Hamas, em Gaza, um grupo militar despido de tecnologia, de armas sofisticadas e que enfrenta uma crise de recursos humanos.

No início do conflito que se deflagrou após um ataque surpresa do Hamas em solo de Israel, em que foram mortas mais de 1.200 pessoas, entre os quais, mais de dezenas de crianças decapitadas, a 07 de Outubro de 2023, quer o governo israelita, quer o resto do mundo, achava que as IDF teriam um passeio em Gaza, eliminando o Hamas como era garantia do primeiro-ministro, ledo engano. O Hamas resiste e o histórico poderoso exército manifesta cansaço.

Israel é um Estado concebido sob cinzas, sempre a lutar pela sua sobrevivência desde 1948, data que marca a sua independência. Entretanto, sempre deu voltas por cima, e derrubou várias coligações militares, desde egípcias com Iraque, Síria, palestinos e outros… À semelhança da eficácia de suas tropas, os seus serviços de inteligência chegavam em locais inimagináveis, eram verdadeiros “longos braços de Israel”.

Naqueles tempos áureos, provavelmente os reféns israelenses presos em Gaza, já teriam sido encontrados e devolvidos às suas famílias. Entretanto, os tempos são outros.

Talvez tenha havido, ao longo dos últimos 20 anos, pouco investimento para a formação das novas tropas e serviços de inteligência. Independentemente do que tenha ocorrido, facto é que as IDF demonstram estarem exaustas, e de terem perdido a performance do passado.

E é sob este ambiente que Benjamin Netanyahu pretende abrir uma frente alargada com o Hezbollah, no Líbano.

O Hezbollah é de longe o grupo armado bem mais preparado entre os grupos paramilitares do Eixo da Resistência do Médio Oriente, uma plataforma informal liderada pelo Irão.

Além de ter apetrechado o seu arsenal bélico, o Hezbollah já impôs no passado imensa dificuldade à Israel, numa guerra que durou mais de um mês, em 2006. A guerra viria a terminar depois de o Conselho de Segurança na Organização das Nações Unidas ter aprovado a resolução 1.701, que estabeleceu um cessar-fogo entre os dois lados.

Uma das exigências da ONU era de que o Hezbollah se desarmasse. Porém, uma exigência nunca concretizada. Diferente do passado, o Hezbollah armou-se ainda mais…