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“Tive a sorte de ter tido uma linda carreira”, afirma Samuel Eto’o à AFP

Redação

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"tive a sorte de ter tido uma linda carreira", afirma samuel eto'o à afp - Samuel Etoo - “Tive a sorte de ter tido uma linda carreira”, afirma Samuel Eto’o à AFP

Após 23 anos como jogador profissional, com um currículo impressionante (18 títulos) e centenas de gols marcados, o ex-atacante camaronês do Barcelona e do Real Madrid tem um novo objetivo: retomar os estudos para “ganhar como treinador” o que já conquistou “como jogador”.

– Se tivesse que escolher um momento da carreira, qual é a melhor lembrança?

Em algum momento é preciso deixar os estádios para encarar novos desafios. É o momento que escolhi, tive a sorte de ter tido uma linda carreira”, confessou Samuel Eto’o em entrevista exclusiva à AFP, algumas semanas depois de anunciar a aposentadoria dos campos, aos 38 anos.

“Tive várias e seria difícil escolher. Diria que minha primeira Copa Africana de Nações (CAN) vencida com a seleção (2000). Era minha primeira CAN, um momento inesquecível, e eu saí da Copa do Mundo da França em 1998 com a esperança de escrever uma bonita história. Eu não era titular naquele time magnífico, mas no fim joguei e dei minha contribuição. É uma bela lembrança.”

– E qual o pior momento?

“Na verdade não tenho nenhum. Quando vejo os outros, percebo que tive muita sorte. Mesmo se você tem talento, você vai precisar de sorte. Em um momento pensei que, com os grandes jogadores que tínhamos na seleção de Camarões poderíamos ter sonhado com uma Copa do Mundo. Bom, isso não aconteceu… É o único troféu que me falta, mas passei momentos inesquecíveis com aquele time.”

– Com todos esses títulos (três Champions, duas CAN, ouro nos Jogos Olímpicos), qual sua marca na história do futebol?

“A herança. O mais complicado seria ir embora sem ver surgir algum jogador. Hoje, quando você olha para a seleção de Camarões, é possível ver que contribuímos (com a Fundação Eto’o) para a chegada dos jogadores que estão aí (André Onana, Fabrice Ondoa). Acredito que seja nosso feito mais bonito.”

– Você sempre diz que é o melhor jogador africano da história…

“Não preciso dizer, é um fato (risos).”

– … Mas George Weah é o único africano a ter vencido uma Bola de Ouro.

“Tenho muito respeito por todos os maiores, mas nossas carreiras estão aí e falam por si só. Agora há debates que não servem de nada. Não preciso reivindicá-lo, é um fato. Queira ou não, é um fato (risos).”

– Além dos gols, você tinha como características não ter medo de dar sua opinião.

“Todo mundo tem o direito de dar sua opinião. A gente sabe que, quando se é africano, se é julgado constantemente. O que é inaceitável é que os primeiros a fazer isso são os próprios africanos. Eu tenho orgulho de ser africano. Não tenho complexos.”

– Mesmo se muitas pessoas o chamam de marrento?

“Eu escrevi minha história. Não tenho nada a invejar dos outros. Quando olho de onde eu saí, vejo que tenho o direito de me orgulhar. Isso não quer dizer que seja marrento, pelo contrário. Mas nesse mundo as pessoas gostam de fantoches, e eu não poderia ser um.”

– Você acha que teria tido a mesma carreira se não tivesse esse orgulho?

“Lembro que em 2006, quando Zizou (Zinedine Zidane) deu aquela cabeçada, foi chamado de tudo. Mas ele segue sendo Zizou. Se não fosse a pessoa que é, não teria feito história. Para chegar a ser o melhor, é preciso ter esse caráter. Isso faz de nós diferentes dos outros. Não preciso esconder a pessoa que sou, e é por isso que tive sucesso em todos os meus clubes.”

– Sua mudança de rumo já está em prática com o cargo de conselheiro do presidente da CAF. Você gostaria de ter uma carreira de técnico como Zidane?

“Sei que meu próximo desafio será, no mínimo, ganhar como técnico tudo que ganhei como jogador. Adoraria fazê-lo na Europa e depois, um dia, voltar à Africa e tentar ganhar lá. Não sei perder.”

– Já sabe onde poderia começar?

“Minha sorte foi ter feito história em diferentes clubes. Tenho muito mais portas abertas que outros, mas é preciso estar bem preparado. Estou voltando a estudar, algo que não é fácil. Quero aprender, ter meus diplomas, compreender como funcionam as coisas, seja nos meus negócios pessoais ou na minha futura carreira, para voltar em 12 ou 24 meses e começar outra carreira, que espero que também seja linda.”

– Que tipo de treinador você gostaria de ser: um José Mourinho ou um Pep Guardiola?

“Sou fã de Guardiola. Sou um apaixonado por seu futebol, eu acredito que é preciso ganhar de uma certa maneira. O futebol é como ir ao teatro: é bonito ir ao estádio e ver um belo espetáculo. Quando você vê jogar o time de Guardiola, não fica entediado, porque é uma equipe que defende com a bola, que ataca, que cria espaços. São ações magníficas.”

AFP

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