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Sociedade

Depois de ter morrido várias crianças por afogamento Rio coelho está a ser vedado

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A cobertura surge no quadro de um trabalho de manutenção, que abarca, desde finais de 2016, o aumento da profundidade e a instalação de equipamentos para nivelar a água da bacia.

Os trabalhos, que se iniciaram há mais de duas semanas, visam impedir o fácil aceso de pessoas (principalmente crianças) àquele local, que já foi considerado, há dois anos, como um dos pontos mais críticos da capital do país em época chuvosa.

A Bacia de Retenção do Coelho tornou-se famosa quando, em Outubro de 2016, transbordou e criou constrangimentos sérios aos moradores do KM9 A, tendo inundado casas e escolas. O facto levou ao abandono de algumas casas, pelos munícipes.

Por altura dessa ocorrência, os utentes da Avenida Deolinda Rodrigues, estrada nº 230, passaram a enfrentar duros engarrafamentos, com filas quilométricas e bastante lentas, o que levou as autoridades da província de Luanda a efectuar trabalhos de correcção.

Os trabalhos iniciais resumiram-se no alargamento e aumento da bacia, que passou a ter mais 10 metros de profundidade, numa área de 30 mil 282 metros quadrados para um volume de 302 mil 820 metros cúbicos de água.

Para prevenir novas inundações, foram escavados pelo menos dois metros no solo argiloso, para retirada da lama que dificultava a permeabilização das águas.

De igual modo, foram instaladas três bacias e igual número de bombas flutuantes, que se activam automaticamente sempre que a água atingir determinado ponto. A água é, subsequentemente, descarregada para quatro caixas de válvulas ao redor da bacia.

Cada bomba, com autonomia de trabalho de 24 horas, tem capacidade de bombear 300 metros cúbicos de água por hora, isto é, 300 mil litros de água por hora com energia eléctrica da rede normal ou de fonte alternativa.

A partir daí, a água é escoada à “caixa mãe” e transportada para o outro lado da estrada, em duas tubagens de 250 milímetros de diâmetro, instaladas paralelas ao caminho de ferro até quilómetro e meio da zona do Coelho, aonde será derivada até a vala de drenagem do Cariango, passando pelo Rio Cambamba, até ao mar.

Todavia, o local continuava desprotegido e oferecendo perigo constante aos munícipes, que realizam actividades de pesca na bacia, com risco eminente de afogamento.

Para minimizar o problema, o projecto de requalificação da Bacia do Coelho previa, a partir de Janeiro de 2017, a construção de valas com rachão argamassado, ligação de mais duas bombas, protecção e o nivelamento do terreno.

O trabalho de protecção só agora se iniciou, depois que, em Janeiro último, uma criança residente no bairro dos Mulenvos escorregou e ficou presa na lama, no fundo da bacia. O seu corpo foi removido pelos bombeiros.

Para acautelar novos incidentes, estão em curso trabalhos de aplicação de uma cobertura de arame, que devem estar concluídos nos próximos dias.

A Bacia de Retenção do Coelho foi criada há décadas, para receber a água da chuva e irrigar algumas quintas que existiam no local, mas, com o passar dos anos, foram construídas residências à volta e derrubadas as árvores.

O local servia de depósito de lixo, o que levava ao transbordo quando chovesse.

O nome de Coelho resultou do facto de uma das várias quintas implantadas na área dedicar-se à criação e comercialização de coelhos.

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