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Taiwan: mundo vai apenas olhar a China destruir uma democracia com mais de 23 milhões de habitantes?

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Contrariamente ao que ocorre em Pequim, em Taipé os governantes são escolhidos pelo povo em processos eleitorais transparentes e regulares, além de possuir uma imprensa livre e associações civis de direitos humanos que exercem livremente as suas actividades. Caso a China tome Taiwan, significará a morte da democracia naquela circunscrição, do multipartidarismo e do jornalismo livre.

À semelhança do período da guerra fria, os valores que norteiam as diferentes potências mundiais voltam a colidir, e a Ilha chinesa de Taiwan, no epicentro da divergência, pode vir a ser o campo em que uma ou outra potência poderá sucumbir.

Historicamente, a ilha de Taiwan é uma extensão territorial chinesa, tendo passado a actuar de forma independente em 1949, pouco tempo depois de o então governo legitimo da China ter sido derrotado pelo Partido Comunista Chinês (actualmente liderado por Xi Jinping), na sequência de uma guerra civil.

O líder nacionalista e todos os apoiadores derrotados pelos comunistas fugiram para a ilha de Taiwan, onde o general Chiang Kai-shek, cuja organização política (o Kuomintang) veio mais tarde a ser reconhecida como o governo legítimo de toda a China pelas Nações Unidas, desempenhou uma liderança autoritária.

Entretanto, pressionado pela população, diferente dos comunistas que lideram a China Continental, impondo ao povo a sua vontade de partido único e poder centrado numa única figura, o partido Kuomintang, na ilha de Taiwan, viu-se forçado a encetar reformas no sistema político.

A ilha, com pouco mais de 35.980 km², é hoje uma democracia plena, economicamente prospera, e possui pouco mais de 23 milhões de habitantes, uma cifra duas vezes superior a demografia de Israel.

De referir que a China nunca abdicou de sua pretensão de reunificar a ilha à sua geografia, e apesar de terem sido inimigos viscerais, já em 1997, os comunistas manifestavam preocupação face à perda de poder dos nacionalistas do Kuomintang em Taiwan, diante de organizações políticas locais dominadas por gerações mais novas, como é o caso do Partido Progressista Democrático, liderado pelo actual presidente da ilha, dado que os nacionalistas ainda deixavam implícita a possibilidade de reunificação da ilha à China Continental, uma hipótese muito remota para os progressistas democráticos, que hoje governam a circunscrição.

Na segunda-feira, 20, William Lai tomou posse como presidente de Taiwan, tendo no seu discurso advertido Pequim de que deve “enfrentar a realidade da existência da República da China”, o nome oficial de Taiwan.

Em resposta, Xi Jinping, presidente chinês, cuja Administração deseja resolver o impasse de Taiwan preferencialmente até antes de 2030, nem que for por via armada, orientou, na quinta-feira, 23, um cerco militar total a Taiwan (de dois dias), visando entre outras restrições, o bloqueio económico da Ilha, o seu acesso à energia importada, bem como o apoio de alguns aliados como os Estados Unidos da América (EUA).

Para Xi Jinping e o grosso dos comunistas, o regresso da ilha à geografia chinesa é inevitável. E já deixaram claro que se for necessário para o alcance desse desiderato, não hesitarão em desencadear um ataque militar em larga escala.

Em face disso, há uma questão que não se quer calar: O mundo vai limitar-se a olhar o poderoso exército chinês com os seus caças e blindados, reduzir a escombros uma democracia vibrante como a taiwanesa?

Contrariamente ao que ocorre na China, os governantes taiwaneses são escolhidos pelo povo em processos eleitorais transparentes e regulares. O território possui uma imprensa livre e associações civis de direitos humanos que exercem livremente suas actividades.

Caso a China tome a ilha, significará a morte da democracia naquela circunscrição. Os mais de 23 milhões de habitantes deixarão de escolher os seus dirigentes, sendo que deverão ser administrados por quem for escolhido pelos comunistas como presidente do partido e do país.

Significará igualmente a morte do jornalismo livre, do activismo na sua essência, bem como dos partidos políticos aí existentes.

Deve-se mesmo dar carta-branca à China, num mundo moderno, face ao poder que detém, de cometer assassínios, destruir infra-estruturas, e alterar contextos e modelos políticos para a satisfação pessoal de um grupo dominante?

Em Taiwan está a sobrevivência da democracia e das regras internacionais, onde a vida humana é a mais importante.

Ilha concentra a economia do futuro…

Embora pequena, a ilha de Taiwan é hoje a 22ª maior economia do mundo. Com um PIB avaliado em pouco mais de 721,5 mil milhões de euros, Taiwan é campeã na fabricação de semicondutores, um equipamento importante para o poder militar, económico e geopolítico dos dias de hoje.

Estes chips são considerados o novo petróleo e é em torno dele que gira o mundo moderno. Computadores, smartphones, mísseis, microondas, bolsa de valores, carros, geladeiras. Tudo que tem tecnologia, tem chip.

Entretanto, Taiwan é uma peça-chave nesse xadrez geopolítico global na produção de semicondutores, dado que alberga a TSMC, o maior fabricante de chips do mundo.