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Sociedade

“Tablets não são adequados à realidade do nosso ensino primário”

António Cassoma

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Cidadãos ouvidos pelo Correio da Kianda foram unânimes em afirmar que é desproporcional a oferta de tablets do Ministério da Educação aos alunos do ensino primário nas escolas do país, enquanto os estudantes carecem de condições básicas como luz, água e carteiras em melhores condições.

Armando Quintas, funcionário público, considera que “é mais um projecto falhado”, partindo do pressuposto que há ainda muitas escolas sem um suporte de salas equipadas com material informático e sinal de Internet.

“Quanto aos professores, precisariam ter que passar em uma formação para aprender técnicas para este tipo de ensino que, por sua vez, ainda será um investimento falhado, gasto de dinheiro que poderia ser usado para outros fins”, destaca.

Halerte Malukissa, professora do ensino primário, diz que os tablets como tal são um bom princípio, “mas que não são adequados às nossas realidades. Nós ainda temos problemas de falta de carteiras, de materiais escolares, têm crianças que nem um lápis tem”.

A professora Harlete afirma ainda que todos os métodos são bons, dependendo de como são aplicáveis.”As ofertas dos tablets, até um certo ponto e pelo problema que o mundo enfrenta (covid), diria que sim, mas esse método não está de acordo com as realidades do nosso ensino”.

Halerte, que já leccionou para o ensino primário, disse que neste nível falta até lápis, pois muitos encarregados não conseguem comprar. “A direcção da escola também tem dias que nem giz tem, como pensar em comprar e ofertar tablets?”, questionou

O presidente do Movimento dos Estudantes de Angola, Francisco Teixeira, diz que não é possível oferecer tablets num país em muitas escolas que estão na capital, não tem energia eléctrica.

“É mais uma das propagandas políticas da senhora ministra”, que mostra, de acordo com o líder estudantil, que a ministra da Educação e o seu pelouro desconhecem a realidade do ensino público.

Já o estudante universitário, Armando Camé Santos, pensa que “é uma visão boa, mas aplicada no contexto errado, uma vez que a aprendizagem tem etapas, desde a fase motora até a psíquica”.

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