África
Surto de febre aftosa ameaça dizimar gado dos agricultores da África do Sul
A província do Cabo Oriental, considerado como o coração da indústria pecuária da África do Sul, está enfrentar uma onda de pestes que está a devastar o gado. Trata-se de um surto de febre aftosa altamente contagiosa, que foi declarado desastre nacional em Fevereiro.
Em janeiro, o governo lançou uma campanha de 10 anos para vacinar quase 20 milhões de bovinos contra a infecção viral altamente contagiosa e às vezes mortal.
Mas os agricultores acusaram o governo de permitir que a crise escalasse até que ela fosse longe demais.
Durante estes três primeiros meses de 2026 quase 1.000 surtos foram registrados na África do Sul, afectando no total nove províncias. A doença também foi relatada nos vizinhos Botswana, Eswatini e Zimbábue nos últimos meses.
Ao lado de uma estrada de terra perto da fazenda do agricultor Felix, um grande poste de placa alerta de forma ameaçadora: “Área de controle de febre aftosa”.
Cada veículo que passa precisa ser pulverizado com uma solução química para impedir a propagação do vírus, que pode permanecer até seis meses no esterco de vaca.
Dos 245 animais pertencentes à cooperativa de agricultores da qual Felix é membro, 128 adoeceram e 14 dos quais morreram.
A febre aftosa causa febre e bolhas próximas ao casco e na boca que impedem os animais de se alimentarem, como visto nos sobreviventes magreços.
Por várias semanas, a área, a cerca de 100 quilômetros da cidade de Gqeberha, anteriormente chamada Port Elizabeth, está sob quarentena proibindo qualquer venda ou abate de carne.
O grupo de Felix, composto por 22 agricultores de subsistência, ganha cerca de 540.000 rands (mais de USD 32.000) em um ano normal. As perdas por febre aftosa já lhes custaram 180.000 rands.
“Se tivéssemos sido vacinados cedo o suficiente, a doença não teria existido e não teríamos perdido tanto dinheiro”, disse Felix à AFP, citado pela Africanews.
Somando-se aos custos estavam os carros forragens que os agricultores precisam comprar enquanto seus rebanhos não podem pastar nos campos abertos.
Além das vacinas patrocinadas pelo Estado, os agricultores precisam arcar com o peso financeiro do surto por conta própria, disse o criador de gado Doane Kaizer, que possui cerca de 60 vacas.
“A higienização também tem um custo”, disse ele. “Tenho certeza de que o governo pode fazer mais. As coisas precisam melhorar um pouco.”
O surto levou à proibição da carne bovina sul-africana na Zâmbia e na China, um importador importante.
Também foi a razão apresentada pelo ministro da agricultura, John Steenhuisen, em fevereiro, quando anunciou que não buscaria a reeleição como líder do segundo maior partido, a Aliança Democrática (DA) de centro-direita.
“Meu próximo capítulo deve ser erradicar essa doença devastadora de nossas costas de uma vez por todas”, disse Steenhuisen, cuja condução da crise foi duramente criticada.
O surto colocou Steenhuisen — e seu partido, que recebe apoio significativo dos agricultores — em “uma posição fraca”, disse a analista política Susan Booysen, com eleições para governos locais ainda este ano.
