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SADC

Sul-africanos dão nova chance ao ANC, mas queda é histórica e diminui capital político do presidente Ramaphosa

Ramaphosa terá que enfrentar a ala corrupta dentro de seu próprio partido, alinhada ao ex-presidente Zuma.

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Resultados parciais projetam vitória, com sabor amargo, do Congresso Nacional Africano (ANC na sigla em inglês) na África do Sul. Com metade dos votos contados, o partido que domina a política do país obteve 56% dos votos, abaixo da fronteira simbólica dos 60%, nunca cruzada desde o fim do apartheid, há 25 anos.

Esta queda histórica na popularidade do ANC soou também como última chance. O partido recebeu a dura resposta dos eleitores aos escândalos de corrupção que mancharam a imagem do país, sobretudo durante quase uma década do governo do ex-presidente Jacob Zuma.

A maioria no Parlamento deve confirmar o actual presidente, Cyril Ramaphosa, que vem agindo como agente da renovação, numa guerra contra a corrupção dentro e fora do ANC. Mas seu capital político, certamente, será reduzido para fazer as reformas necessárias, especialmente no interior do partido, onde estão os principais adversários.

Há 15 meses no cargo, Ramaphosa ajudou a destronar Zuma, de quem era vice-presidente, e sobre quem pesam duas dezenas de processos por extorsão e peculato.

Ex-líder sindical que se transformou em empresário e um dos homens mais ricos da África do Sul, o actual presidente tenta expurgar a corrupção endêmica, que começa no coração do ANC e se dissemina pelas instituições públicas alquebradas pelo governo anterior. Ao mesmo tempo, conduz o país mais desigual do mundo, com seis milhões desempregados (27,1%).

Sem influência sobre a população negra, a Aliança Democrática (DA), de centro-direita, que prega o combate à corrupção, tem, por enquanto, 25% dos votos. E o de esquerda radical Combatentes da Liberdade Econômica (EFF), liderado por Julius Malema, ocupa o terceiro lugar, com 9%.

O dado novo das eleições desta quarta feira é que foram disputadas por 48 partidos, o dobro em relação ao primeiro pleito, em 1994, após o fim do apartheid. Este número elevado de legendas, na avaliação de Mathekga, reflete a divisão da sociedade sul-africana e também a falta de confiança no sistema político do país.

Na lista do partido, concorrem candidatos com processos nas costas, alinhados ao ex-presidente. É justamente esta facção que ameaça frustrar e inviabilizar a agenda reformista de Ramaphosa. Vencer é somente a primeira etapa: o atual presidente precisará derrotar os inimigos que contaminam o seu partido. E os resultados preliminares expressam a raiva do eleitor ao ANC.

C/ G1