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Economia

Subida de preços leva famílias a fazerem apenas duas refeições por dia

Manuel Camalata

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Nos últimos dias cresce a onda de reclamações e insatisfação, principalmente de donas de casa, pela subida de preços dos produtos da cesta básica em quase todos os estabelecimentos comerciais da capital do país. Uma subida que, segundo os entrevistados, é recorrente todos os anos, entre os meses de Outubro e Dezembro.

Numa ronda do Correio da Kianda pelos principais supermercados de Luanda, constatou-se a subida de preços dos produtos da cesta básica. Um quilograma de mortadela está agora a ser comercializado ao preço de 1.999 kwanzas, enquanto que o quilo de fiambre custa entre Kz 4.799 e Kz 5.999.

Num dos supermercados situados na centralidade do Kilamba encontramos a senhora Marta, que se diz assustada com os preços. Do seu carrinho de compras aponta para a manteiga Lactiangol que, segundo conta, nos meses de Agosto e Setembro custava menos de 1.000 kwanzas, ao passo que na última semana teve de gastar quase Kz 4.000. A mesma subida, ela aponta para os frescos. Da última vez que comprou rabo de boi, o kilo custou Kz 1.000, mas na passada quinta-feira desembolsou cerca de Kz 3.000. Uma situação que aquela mãe solteira, classifica como sendo deplorável.

Na zona do Morro Bento, município de Talatona, a realidade não é diferente. A jovem Benvinda disse que os preços dispararam há cerca de duas semanas. Benvinda conta que a caixa de frango, que custava 7.000 kwanzas “já está há 9.200 kwanzas”. O saco de 25 quilogramas de arroz, no mês de Setembro custava a 11 mil kwanzas, custa agora 14 a 15 mil kwanzas variando de estabelecimento a estabelecimento.

O óleo alimentar também disparou o preço do litro de 700 kwanzas para 1.200 kwanzas. Igual preço em relação ao feijão que custa actualmente 1.700 contra os anteriores 1.200.

Quem também apanhou susto com os preços na hora de fazer as compras é a senhora Marieta de Castro, no município de Viana. Ela disse ser difícil responder com quanto deve ir às compras para o seu agregado familiar composto por cinco pessoas, “porque a cada dia que passa, tu vens para aqui encontras novos preços. E só estão a subir”, disse.

“Por exemplo, não consegui comprar o leite porque a lata está a custar 13 mil e tal, nem comprei fuba”, referiu tendo acrescentado que ficou três meses sem entrar nos supermercado para fazer compras porque o dinheiro nunca chegava e recorria sempre ao pequeno mercado junto do seu bairro.

Das compras que fez desenrola a factura de pagamento e exibe os custos: 1 quilograma de feijão 1.200 kwanzas, 10 quilogramas de fuba de milho 2.500 kwanzas, um quilograma de fuba de milho branca 300 kwanzas, ao passo que para o óleo alimentar comprou meia caixa, mas ao preço de 8.000 kwanzas.

Ainda no município de Viana, nos vários supermercados situados junto da vila sede, o Correio da Kianda apurou que um quilograma de açúcar custa cerca de Kz 400, a massa alimentar varia entre os 300 e 700 kwanzas o pacote.

Na fila dos frescos, o preço do chispe varia entre os 1.600 e 2.000 kwanzas, um cartão de seis ovos custa 599 kwanzas. A garopa custa 4.508 kwanzas, uma galinha rija está a ser vendida ao preço de 1599 kwanzas, ao passo que o bacalhau está a custar 13.499, nos poucos estabelecimentos onde há a venda.

Os produtos do campo e que já estão a ser produzido a nível nacional em grande escala, os preços também estão aquém das expectativas, com o alho a custar mais caro que a cebola.

Sobre estes produtos, nenhuma das nossas entrevistadas dessa semana nos diferentes estabelecimentos comerciais visitados comprou. As mesmas dizem que preferem comprar no mercado informal por ser mais acessível e quando têm possibilidade vão ao mercado do KM 30 comprar em quantidade suficiente e que aguenta mesmo um mês, como a cebola, alho, tomate, folha de louro, alface, repolho, couve e mesmo para frutas.

“O único problema de ir fazer compras no 30 é mesmo só de transporte. A pessoa sem transporte próprio sofre muito e também gasta muito até chegar em casa”, desabafou.

“Na minha casa que antes comíamos três vezes, agora é só duas vezes. O ‘mata-bicho’ é feito às 12 horas, e o jantar fazemos as 17h”, disse uma jovem adolescente residente no município do Cazenga. Segundo a mesma, o pai do seu filho está desempregado pois era professor do colégio, “e agora é só a minha mãe que está a trabalhar. Por isso é que só comemos duas vezes por dia, para a comida não acabar cedo. Mas tem vezes, que o meu pai compra pão e ‘mata-bichamos’ pão com chá, mas são aqueles pães pequenos e sem manteiga”, explicou.

Questionado sobre a subida acentuada de preço dos produtos da cesta básica e consequente precariedade da vida de algumas famílias em Luanda, o director do Instituto de Desenvolvimento Agrário, David Tunga. Disse que o governo está a trabalhar numa estratégia que visa reverter a situação a partir do incentivo da actividade agrícola.

David Tunga, que falava à imprensa à margem da actividade de celebração do Dia Mundial da Alimentação, assinalado na última sexta-feira, 16, onde esteve em representação do Secretário de Estado da Agricultura, referiu que a estratégia passa por encorajar as comunidades e empresários agrícolas a multiplicarem os esforços no sentido da maximização da produção e produtividade de produtos alimentares para as famílias angolanas.

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