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Opinião

Sonhar é traçar linha mestras para o horizonte

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Sonhar, é devolver a alma ao solo, irrigar o interior e exterior da terra, é transportar dentre os dedos o sol e a sombra. É espreitar na visão da crença o subsídio do futuro, vindimar a noite cheia de compaixão, roncar sob medos e dúvidas com trovão das nossas atitudes. Alvoroçar o conformismo e espantar agilidade no raciocínio a fim de se estimular a viagem da intenção do espírito.

Sonhar, é pintar a consciência com aquarelas de esperança e de paz, arrotear o inferno da submissão por inteiro.

Pulsar o optimismo, de forma a sujeitar as fontes de produtividade da consciência, na qual vai induzir os 5 sentidos a se relacionarem com a psique. É a lavra do positivismo, numa constante plantação de crença, esforço, coragem e determinação. Porém, é a razão da respiração de um ser pensante, de um cérebro sem reforma, e do casamento das mãos, ambos rompendo obstáculos, construindo e restaurando a vida. É a sagacidade de uma fé aclarada de alegria.

Sonhar, é imprimir dos céus os relatórios do nosso sacrifício, é impulsionar a valentia a prosseguir nossa aventura, nosso destino. É ceder a alma à liberdade de voar em todos hemisférios de realizações, ministrar ao espírito o poder dos nossos impulsos, dar ao ser pensante o solo para irrigação dos seus projectos.

Segundo Sigmund Freud, o sonho é definido como “a realização de um desejo” que ao nosso entender pode ser um objecto relacionado ao desenvolvimento do ser humano, na medida em que este se curva aos inúmeros estágios da vida, vai respondendo as novas necessidades, almejada no perfilar de cada passo, aspirações que correspondam ou ultrapassam as suas expectativas.

Por isso, com base nessas expectativas, o homem avança com os olhos afincados nos seus ideais, corre atrás de riscos, desenha na imaginação as vantagens de uma realização almejada. Vive através de sonhos, demonstra a multiplicidade dos seus dias, consolidando assim os mais amplos projectos de sua existência.

Para a humanidade, sonhar é pintar na alma uma tela colorida que ao longo da sua projecção tem uma significação colectiva mas que parece-nos apresentar outra tonalidade em cada apreciação individual. É depositar nas nuvens milhões de estrelas ainda que o sorriso vacile. De uma forma mais simples, podemos até dizer que um sonho é lançar o barco de cartolina a maré que a ao tomar o seu caminho este barco por sinal coloca-se de forma invisível os membros superiores e rima para à viajem da sua força.

Um belo dia, enquanto o sol despertava, o velho João que gostava de andar reflectindo em levar com audácia os seus projectos, notou que o jardim que deixara sob os cuidados do seu neto, havia endoidecido com a seca desmedida, assolara até o ânimo de uma boa parte de pessoas mais chegadas que gostavam daquele sítio. Lembrou-se do encontro na época, após uma partida de fotball ou outro evento qualquer. Da malta que sentava-se para abordar assuntos relacionados a sua infância ou dicas que davam as garotas do seu tempo no bairro em que viviam. Notara que o recinto já não era o mesmo, havia se tornado num autêntico espaço desperdiçado por águas paradas e mosquitos bem nutridos. Então pensou numa maneira mais dinâmica para voltar a ver a sua alma sorrir de novo e a alma daquelas pessoas que com ele conversavam não desperdiçando a alegria dos jovens apaixonados de mãos dadas e queixos caídos, pela resposta positiva da solicitação de pedido de namoro por intermédio de cartas ou aperto de mãos de pessoas queridas.

Mas para o velho João, não eram somente estes aspectos marcantes, também a forma como as pessoas eram felizes ao se servirem daquele recinto cheio de cor, onde o verde seduzia os olhares de pessoas que ao pé daquele cenário passavam, como os pássaros cantavam melodias que antigamente rejuvenescia muitas memórias, até de velhinhas que zungavam ali seus trabalhos de bordados lindos e rendas maravilhosas fizeram com que arregaça-se as mangas com ideias assentas e trabalho árduo que transportou o sonho a bom porto.

Esse facto deu-lhe vida para reerguer a alegria daquele povo, o espaço verde para a saúde de todos, o reencontro de gente que não se viam à meio século e as histórias que se ouviam falar de longe agora mais próximas desta geração como consequência de um pesadelo que lhe encurtava o sono.

Foram tantas coisas que trouxeram-no de volta ao paraíso do seu tempo que para nós poderia ser satisfatório ao invés de pensarmos trazer para nova sociedade a competição de bebidas fortes e novas tendências de vestuário: calças sykynes, cinturas baixas, sem espaço próprio para o devido uso. Podíamos muito bem sonhar com situações que nos levam para frente, como: plantar uma árvore, escrever um livro etc.

Para isso, necessitamos de melhorar nossa conduta, deixar de subcarregar o outrem, pois o sonho também necessita do funcionamento dos órgãos sensoriais para a sua realização, a partir de caminhos da imaginação a sua materialização.

Sonhar também necessita-se de organização, princípios e determinação. Na organização, o homem recorre as bases a serem criadas como os primeiros passos, onde vai reflectir dentro das suas habilidades vantagens e desvantagens. Quanto aos princípios, fala da conjuntura da criação do objecto e por último na força ou vontade em que é exercitada sua actividade.

Na actividade, o ser humano subscreve a coragem, impõe a autonomia de ser o que experimenta o poder da sua imaginação, reforça no espírito a intenção dos dedos delineando ao sol os céus azuis na qual Introduz na sua essência o rito de humanidade.

Contudo, sonhar é colocar sob os ombros o esqueleto mais alto do coração. É traçar linhas mestras para o horizonte.

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