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Economia

Sonangol assinala 45 anos de existência com resultados positivos apesar da crise

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A Sociedade Nacional dos Combustíveis (Sonangol) completou no dia 5 de Março, 45 anos de existência. Para assinalar a data, o conselho de administração chamou a imprensa para apresentar a situação geral da empresa, tendo o seu presidente, Sebastião Pai Querido, apontado resultados positivos do exercício económico 2020, com destaque para a autonomia de fornecimento de determinados produtos derivados do petróleo, como é o gasto do gás de cozinha, e jet 1, cujos níveis de produção foram suficientes para o mercado interno e exportação do excedente.

O Presidente do Conselho de Administração da Sonangol, começou por apresentar dados sobre a conclusão do programa de restruturação da empresa, que segundo fez saber, “trouxe uma economia de 1441 milhões de dólares” e uma redução de custos de 1971 milhões de dólares.

Em termos de exploração e produção, o PCA referiu que é pretensão da Sonangol aumentar os níveis de produção de 25 para 100 mil barris de petróleo dia, até 2023, nas zonas em que a petrolífera actua como operadora, como é o caso do 5-06. Metas de produção que o PCA da Sonangol considera desafios a atingir no seu consulado.

A pandemia da covid-19 impossibilitou a realização de actividades de exploração e produção em 2020, a nível de poços de exploração e de avaliação, o que, segundo Sebastião Pai Querido, permitiu a produção de 237 mil barris de óleo por dia, provenientes principalmente de blocos em que a Sonangol é apenas parceiro, visto que da própria “produção operada foi de apenas 8.235”.

Entretanto, garantiu a continuação dos trabalhos para o aumento da produção da gasolina na refinaria de Luanda, onde se pretende “passarmos de 370 toneladas MT/d para 1200 toneladas MT/dia”. Uma capacidade geral que se prevê aumentar com o início de produção de petróleo na refinaria de Cabinda com 70.000 barril/dia, cujo investimento já foi aprovado pelo conselho de administração, bem como o reinicio e avaliação da refinaria do Lobito, incluindo a identificação de investidores para esta refinaria situada na província de Benguela.

Referiu ainda, que no ano transacto, a refinaria de Luanda processou cerca de 47 mil barril de óleo/dia, gerando como resultado 2.191.000.000 toneladas Mt/dia. Sebastião Pai Querido referiu que grande parte desta produção foi de Full Oil, gasóleo, NAFTA, estando por isso em curso o trabalho de conversão de “uma boa parte da NAFTA em gasolina para aumentarmos a nossa produção de gasolina nesta refinaria”.

Para o JET1, a Sonangol conseguiu manter os níveis de produção para as necessidades do país, não tendo, por isso havido qualquer importação desse derivado do petróleo.

Outro sector do petróleo que as refinarias do país estiveram em altura das necessidades do país foi a produção de Gás butano, tendo sido 1.100 toneladas /dia fornecidas “provenientes fundamentalmente da fábrica Angola LNG” com 330.379, Refinaria de Luanda com 22.833 (menos 20% em relação a 2019) e da Topping Cabinda com 13.264 MT/dia. Dados, que de acordo com o PCA, permitira a que Angola pudesse ter uma autonomia de produção.

Em termos de exportação, a Sonangol movimentou, em 2020, 163.000.000 de barrís, transportados da ANPG e da própria Sonangol. Outro volume de exportação registado foi de 1.348.000 toneladas MT de full oil produzidos na refinaria de Luanda, que serão convertidos em gasolina, tendo sido exortados igualmente “algum gás para o exterior fruto da capacidade de excedentária que ainda fomos tendo”.

Sobre a distribuição e comercialização de derivados de petróleo, Sebastião Pai Querido, referiu que em 2020, a Sonangol deixou de usar a armazenagem flutuante, passando a usar terminal do Porto Pesqueiro em Luanda, e o início da construção do adicional de armazenagem do terminal marítimo oceânico da barra do Dande, bem como na criação de um novo modelo de expansão dos serviços e estender a actividade comercialização de Combustível à República Democrática do Congo e para a região austral de África.

“Em 2020 importamos muito menos que que importamos em 2019”, em menos 14% comparativamente ao anterior sem, no entanto, afectar as necessidades internas.

Efeitos da crise de preços de petróleo na Sonangol 

A crise pandémica que afectou o sector dos petróleos, e levou a redução do preço do barril no mercado internacional, levou que os proveitos registassem “apenas cerca de cinco milhões de dólares”, afectando também, os custos operacionais através da renegociação dos contratos.

Para o Presidente do Conselho de Administração da Sonangol, o resultado operacional da empresa “foi positivo, de 1971 milhões de dólares”, com uma margem “aceitável” de 32.9 milhões, tendo em conta a média do preço do barril de petróleo 40.72 em 2020, contra 65 do ano anterior.

A dívida financeira da Sonangol em 2020 “sofreu uma redução em relação a 2019”, cifrando-se em 4.224 mil milhões de dólares, e para amortização desta dívida, manteve-se os serviços da dívida em 1.843 mil milhões de dólares, redução também verificada na disponibilidade para 2.423 mil milhões, com a criação da Agência Nacional de Petróleos para a gestão dos fundos de abandono.

Entretanto, a dívida liquida da Sonangol registou um aumento de 80% em 2020, de 1.801 mil milhões contra os 1.000 mil milhões em 2019. Para esta dívida, Sebastião Pai Querido, justificou o aumento com aumento de 15% em pedidos de fundo, em relação a 2019, mais despesas de importação de produtos refinados de 1.3, passando esta dívida para 1.145 milhões de dólares.

Em termos de investimentos feitos pela petrolífera estatal, apesar da redução de cerca de 71%, Sebastião Pai Querido referiu que a Sonangol manteve o investimento de cerca de 500 milhões de dólares.