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“Somos todos soldados dessa paz”, afirma jornalista Luís Domingos

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O jornalista Luís Domingos disse que todos os jornalistas em Angola são partícipe da paz que o país assinala hoje 20 anos desde o seu alcance, a 4 de Abril de 2002, pois para o seu alcance os profissionais da comunicação social contribuíram de forma significativa para a sua conquista.

Luís Domingos falava na última sexta-feira, 1 de Abril, em Luanda, quando passava o seu testemunho de repórter de Guerra, pela TPA, no primeiro Sarau de Jornalistas, organizado pelo Centro de Formação de Jornalistas (Cefojor), onde dezenas de profissionais e estudantes abordaram o papel da Comunicação Social na conquista da paz em Angola.

O Luís Domingos, que foi o rosto do programa ‘Nação Coragem’ emitido na década de 1990 falou do papel que a rubrica ‘Ponto de Encontro’ do referido programa desempenhou na missão de reunificação das famílias angolanas, depois de um longo período separadas devido a guerra que assolou o país, por cerca de 30 anos. Destacou, sem citar nomes, os jornalistas e outros profissionais da comunicação social que participaram directamente na guerra, nas províncias do Huambo, Bié, Cuando Cubango, Malange, em Luanda e em outras partes do país onde muitos perderam a vida.

“E muitos dos nossos colegas não estão, esta noite, aqui conosco, e não estarão também amanhã, noutra actividade qualquer… porque morreram na guerra”, disse, pedindo aos presentes, um minuto de silêncio “de reconhecimento, gratidão” e em homenagem aos que partiram durante a guerra.

“Nós os jornalistas somos obrigados a estar onde, em nome do povo, devemos estar, ainda que a nossa vida esteja em risco”, afirmou. “Por isso somos todos soldados e partícipes dessa paz”.

Luís Domingos recordou ainda, que durante a guerra, por inúmeras vezes, viu-se na obrigação ‘despir-se’ do jornalismo e “tornar-me num cidadão humanitário, com destaque para o programa ‘Nação Coragem – Ponto de Reencontro’, que visava “procurar as pessoas” que a a guerra separou.

“Em 92 eu fugi da minha terra (Huambo) e vim para Luanda. Eu pensei que aqui na capital iria encontrar a paz, engano. No dia em que fui me apresentar à TPA, rebentou a guerra em Luanda, ficámos ‘presos’ na TPA durante três dias sem tomar banho, comendo mal, mas era necessário cumprirmos com a nossa missão. Irmos lá onde as armas estavam a recusar a paz”, referiu, nostálgico.

Ainda em Luanda, “eu vi Nguxi dos Santos na televisão com arma na mão. Eu vi Carlos Cunha, director da TPA com arma na mão”, recordou, acrescentando que certa vez, em 1999, o também Jornalista Manuel da Silva, então director adjunto da TPA lhe dissera: “Luís, prepare uma mochila, ponha roupa de campo e amanhã de manhã às 5h vai ao terminal militar, vai lá estar o brigadeiro Jota. Eu não sei se algum dia o ‘chefe Manel’ me vai confidenciar se sabia para onde me estava a mandar ou não. O certo é que eu subi num avião sem saber para onde estava a ir, mas enquanto Jornalista, assim como vocês, cumpria muitas missões sem perguntar, para onde vou, quando vou, o que vou fazer”, tendo escalado, nesta partida, à província do Bié e depois rumado em caravana para o município do Andulo.

O primeiro Sarau de Jornalistas, organizado que o pátio do Cefojor acolheu na sexta-feira, contou também com as intervenções de Africano Neto, da Rádio Nacional de Angola, de Manuel da Silva, da TPA e Luisa Rogério, do Jornal de Angola, que falaram cada um do contributo de cada um dos seus órgãos para o alcance da paz efectiva em Angola.

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