Sociedade
Sobas apontam feitiçaria como possível explicação para crimes sexuais em Luanda
As autoridades tradicionais em Luanda levantaram a possibilidade de que alguns casos de violência sexual contra menores possam estar associados a alegados pactos espirituais ou práticas de feitiçaria, uma leitura sustentada pelo coordenador dos Sobas Grandes da província.
Em declarações à Rádio Correio da Kianda, o coordenador dos Sobas Grandes de Luanda, João Adão, afirmou que, em determinados contextos analisados pelas estruturas tradicionais, há situações em que os comportamentos desviantes são interpretados como resultantes de “pactos” com finalidades específicas.
Segundo o responsável, essa leitura surge no âmbito de experiências registadas em comunidades onde autoridades tradicionais têm intervindo na resolução de conflitos.
“Não é meio capricho dos prevaricadores. Resulta de um pacto qualquer”, afirmou, ao comentar a origem de alguns destes casos, acrescentando que, do ponto de vista das tradições orais, certos actos não seriam explicados apenas por motivações individuais.
João Adão sustentou ainda que, por se tratar de adultos conscientes do bem e do mal, a prática destes crimes pode estar associada a motivações externas ou espirituais, segundo interpretações recolhidas em ambientes tradicionais.
O responsável referiu igualmente que já foram registados casos levados a instâncias tradicionais noutros pontos do país, incluindo o Bailundo, onde situações semelhantes terão sido analisadas em tribunal tradicional e associadas a alegados pactos espirituais.
Apesar dessa interpretação, as autoridades tradicionais reforçam que a violência sexual contra menores constitui um crime grave e universalmente punível, devendo ser combatida em todas as circunstâncias.
João Adão reiterou que tais práticas são inaceitáveis do ponto de vista social e legal, sublinhando a necessidade de proteção das crianças e de prevenção da violência em todas as suas formas.
