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Sindicato denuncia ameaças de despedimentos de médicos gevistas pelos responsáveis da Saúde

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Os médicos que estão em greve desde o passado dia 21 de Março, dizem estar a ser ameaçados de despedimentos por não aceitarem retomar os trabalhos, havendo já três profissionais suspensos. O director do Hospital Pedriático David Bernardino em Luanda, um dos acusados do sindicato, considera desumano os profissionais que se negam a aceder ao diálogo.

O Presidente do Sindicato de Médicos Angolanos, Adriano Manuel, acusa “altas individualidades” do governo de partir para “ameaças” de despedimentos aos profissionais, tendo citado o Director dos Recursos Humanos do ministério da Saúde, bem como o director do hospital Pedriático David Bernardino.

O responsável refere ainda que na provincia da Lunda Sul três médicos já foram suspensos pelo director provincial da saúde daquela região do país, pelo que o sindicato promete intentar uma acção judicial, nos próximos dias, por estar a ser violada a lei da greve.

Com vista a pressionar o governo à voltar as negociações com a classe médica angolana, o Sindicato Nacional dos Médicos Angolanos vai sair às ruas neste sábado, para manifestação pacífica.

O Director Geral do Hospital Pedriático David Bernardino, considerou de “falácia” as acusações do Sindicato, tendo acrescentado que o Banco de Urgência está “abandonado”, pois o turno que devia ter entrado não o fez, colocando em risco de as “crianças morrerem” e condicionado aquelas que deveria receber alta médica.

“Temos médicos desumanos, que fizeram um juramento e eu tenho vergonha de um dia ter sido responsavel desses médicos. É repugnante”, disse, agastado com o facto de os profissionais da saúde terem deixado de cumprir com os serviços mínimos nos hospitais públicos do país, na sequencia da greve que dura há cerca de um mês.




Entretanto, três organizações da sociedade civil, nomeadamente a Associação Justiça Paz e Democracia (AJPD), Omunga e a Rede Terra, responsabilizam, numa nota conjunta, o Estado angolano, por “qualquer morte que venha a ocorrer nos hospitais” públicos do país, durante o período da greve, “sobretudo se resultarem da ausência dos médicos”.

A razão, de acordo com as organizações, está relacionada com a falta de condições de trabalho das unidades hospitalares, para fazer face às necessidades de atendimento médico.

Para aquelas organizações “consideram despropositada e deplorável a atitude do Executivo, que ao invés de dar solução aos graves problemas que enfermam os sectores da Saúde e do ensino em Angola, quer à custa da força obrigar o regresso dos médicos às enfermarias”.

Os médicos dos hospitais públicos nacionais estão em greve para exigir melhorias das condições salariais e de trabalho, bem como de segurança dos médicos são algumas das exigências que levam a continuidade do braço de ferro entre os profissionais da saúde e o governo angolano.

Lembrar que recentemente, a ministra da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social, Teresa Rodrigues Dias, disse “de forma muito claro que o Estado não vai processar os salários às pessoas que estão em greve. O Estado não pode cruzar os braços porque meia dúzia de médicos entende que não vão trabalhar”. Acrescentou ainda que o governo precisava “tomar medidas”.

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