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Educação Financeira

Sete dicas de quem domina a arte de viver com o salário mínimo

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Viver com o salário mínimo não é fácil, mas é a realidade de muitos angolanos e angolanas. Reunimos algumas dicas de quem sabe o que é viver com pouco. E quando se fala de viver pouco é mesmo com pouco, 30.000 Kwanzas (pouco mais de 50 USD) por mês. E, as pessoas que vivem com esses rendimentos são realmente gestores(as) financeiros.

Contar os tostões e fazê-los chegar para tudo é uma arte ao alcance de poucos. Fazer muito com muito pouco tornou-se quase um estilo de vida. E há pessoas que fazem verdadeiros milagres da multiplicação.

Viver com o salário mínimo é um desafio diário e fomos procurar as técnicas de quem sabe fazer escolhas inteligentes. Neste artigo vamos partilhá-las consigo.

1- Aproveite todas as ajudas

Aproveite todas as ajudas da Escola, do Governo como merenda escola, transporte escolar, abono de família

Assim, é muito importante que veja onde gasta mais dinheiro e procure benefícios para quem tem baixos rendimentos – pode haver boas oportunidades de reduzir a despesa e viver um pouco melhor sem sacrificar o bem-estar da família.

2- Domine descontos e promoções

Quem vive com o salário mínimo sabe que não pode dar-se ao luxo de deixar escapar uma boa promoção no supermercado. Na verdade, quem vive do salário mínimo organiza a vida de acordo com as promoções e é o supermercado que decide a ementa do dia. O feijão está em promoção? O jantar é feijoada. Amanhã há bifes a metade do preço? Bitoque para todos!

Planear a semana tendo em conta os catálogos pode fazer a diferença entre ter a mesa cheia todos os dias ou ter de abdicar do jantar para que não falte almoço para os filhos no dia seguinte. E não se guie apenas por um catálogo – todos os supermercados fazem promoções e uma visita alternada a cada um pode encher-lhe o frigorífico sem arruinar a carteira logo na primeira semana do mês.

Assim, da próxima vez que apanhar a tia-avó a guardar religiosamente o folheto da mercearia, pense que, poupar no supermercado também podia ser a sua estratégia para estender o pouco que ganha.

3- Não tenha vergonha de comprar barato

Já lá vai o tempo em que comprar na loja dos chineses ou na feira era visto como algo humilhante. Há, aliás, muitas lojas dos chineses com roupa da mesma qualidade da que compra no centro comercial. E nem vamos falar na quantidade de lojas do comércio tradicional que vão abastecer-se precisamente a armazéns que importam tudo da China.

Comprar barato não tem de ser o mesmo que comprar feio. E pode crer que já cobiçou muitas peças de roupa sem saber que vinham de lojas conhecidas pelos preços baixos. Há coisas que valem pela figura que fazem e que, bem combinadas e trabalhadas, parecem tão caras como as que verdadeiramente custam muito dinheiro.

Comprar barato não tem de ser uma estratégia exclusiva para roupa: pode comprar acessórios, peças de decoração, utensílios de cozinha… não tenha vergonha de tirar uma manhã para passear na feira da sua cidade. Vai surpreender-se com o que encontra e até arriscamos dizer que vai ver peças que encontrou noutras montras mais vistosas.

E lembre-se que existem lojas com roupa em segunda mão a preços muito baratos onde pode comprar a preços de verdadeira pechincha.

4- Coma o que a época lhe dá

Falávamos ali em cima do facto de, em muitos lares portugueses, as promoções dos supermercados ditarem as ementas, e agora estendemos a teoria à mãe Natureza. Se a época é de morangos, porquê comprar maracujás?

A fruta da época é muito mais barata do que a fruta importada e ainda tem mais probabilidade de ser mais saudável e com menos químicos à mistura. Aliás, como imagina que a fruta exótica é colhida, tratada e conservada para lhe ser vendida em pleno inverno?

A cereja no topo do bolo de quem vive com o salário mínimo é ter uma pequena horta e algumas árvores de fruto. Além de tornarem um jardim mais bonito, dão frutas e legumes suficientes para alimentar regularmente uma família a custo zero. Só tem de regar e tratar com cuidado!

Aqui não resistimos a chamar-lhe a atenção para outra tradição entre os que estão habituados a viver com pouco: a economia informal. Repare que quem tem fruta e legumes em casa está sempre disposto a partilhar a colheita com amigos e família: é que, se cada um plantar um produto diferente e partilhar a colheita, todos ficam com maior variedade de alimentos para consumir a custo zero e desperdiça-se menos (acredite que uma família de quatro pessoas não dá conta de todas as laranjas de uma laranjeira, por exemplo). É praticamente o ponto de perfeito equilíbrio entre a oferta e a procura!

5- Faça omeletes sem ovos

Claro que não falamos no sentido literal (embora quem vive com o salário mínimo pareça muitas vezes ter esta capacidade), mas daquelas situações em que um produto mais caro pode ser substituído por um produto mais barato e com características semelhantes.

Pense, por exemplo, no caso da proteína: ela está num suculento naco de bife, mas também está numa boa dose de grão de bico. Às vezes, tudo o que precisa está à distância de uma simples pesquisa nutricional.

6- Abdique dos luxos

É uma pena, mas nem todos podemos jantar fora sempre que nos dá vontade. Para as famílias mais carenciadas, esta é uma realidade recorrente e por isso quem vive com o salário mínimo evita até sair de casa de barriga vazia.

Se vai às compras, prepare-se antecipadamente e leve um lanche consigo, ou calcule o tempo que tem até começar a sentir fome. Se parar as compras antes de a fome chegar, a probabilidade de se sentar à mesa de um restaurante é menor e o seu bolso, claro, agradece bastante.

7- Não se compare com os outros

Deixamos este conselho para o fim de propósito. Claro que, nos dias que correm, é impossível não nos compararmos com o que vemos nas redes sociais, mas tem de manter sempre presente que cada um sabe da sua vida e, no seu caso, não cabe a ninguém além de si fazer uma boa gestão dos recursos disponíveis.

Comparar o que temos com o que os outros têm é uma armadilha em que facilmente caímos e nem é preciso sermos financeiramente carentes: há sempre alguém que tem (ou parece ter) mais dinheiro do que nós, melhores carros do que nós, melhores viagens do que nós, melhores vidas do que nós.

Não se deixe levar pela ilusão de que vai chegar ao mesmo estatuto comprando coisas iguais, porque vai acabar a gastar dinheiro que não tem em coisas de que não precisa. Viva para si, por si, com o que é seu. Vai ser muito mais feliz.

Viver com o salário mínimo não é tarefa fácil, mas se seguir as dicas… Vai aliviar as rotinas e ter uma melhor relação com o seu dinheiro.

Viver com o salário mínimo é mau pelos sacrifícios que são necessários fazer todos os dias. O foco é avançar e aumentar os rendimentos e sair dessa situação. Enquanto nesta situação, que parece ser milagre viver nessas condições, tem estratégias para viver com alguma dignidade. No fundo, é isso que se trata: viver com qualidade com dignidade.

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1 Comment

1 Comment

  1. Daniel Kapassa

    03/02/2022 at 6:53 am

    Estórias da carochinha

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